Costa Cruzeiros confirma 53 brasileiros a bordo no navio acidentado

As equipes de resgate ainda procuram por 70 pessoas; embarcação levava mais de 4 mil passageiros

Silvana Mautone, da Agência Estado,

14 de janeiro de 2012 | 12h07

Navio Costa Concordia se dirigia do porto de Civitavecchia ao de Savona, ao norte, quando bateu num banco de areia nas águas da ilha italiana de Giglio

Atualizado às 15h44

Ao menos 53 brasileiros estavam a bordo do navio que virou após bater num banco de areia nas águas da ilha italiana de Giglio na sexta-feira à noite. De acordo com o consulado do Brasil em Roma, a empresa Costa Cruzeiros, dona da embarcação, disse que 47 eram passageiros e os outros seis, tripulantes. Até o momento, não há informações de brasileiros entre os mortos, feridos e desaparecidos.

Um grupo de 26 brasileiros que estava no navio já está a caminho de Milão, segundo a embaixada brasileira na cidade. Caso necessário, as embaixadas do Brasil na Itália providenciarão novos passaportes para essas pessoas. No caso de quem precisar viajar imediatamente ao Brasil, emitirá um documento chamado Autorização de Retorno ao Brasil (ARB), que substitui provisoriamente o passaporte.

O telefone de emergência do Consultado Brasileiro em Milão é 00 xx 39 335 727 8117 e do Consulado Brasileiro em Roma, 00 xx 39 333 1184 682.

A seção consular da embaixada em Roma mantém um plantão para atender os brasileiros que precisarem de ajuda, especialmente para repor documentos perdidos. Até agora, duas pessoas já procuraram a embaixada.

O Itamaraty informa, no entanto, que não há previsão de necessidade de ajuda com transporte e alojamento, já que a empresa Costa Cruzeiros, dona do navio naufragado, é a responsável pelos passageiros e está providenciando a ajuda necessária até agora.

O Costa Concordia se dirigia do porto de Civitavecchia ao de Savona, ao norte, ambos na Itália.

A Capitania dos Portos de Giglio confirmou três mortes - dois turistas franceses e um tripulante peruano - e 40 feridos, informam os jornais italianos La Repubblica e Corriere della Sera. A suspeita é que eles tenham morrido afogados.

Estima-se que entre 50 e 70 pessoas ainda estejam desaparecidas. As equipes de resgate estão vasculhando o interior do navio à procura de vítimas. 

Rota alterada

Ainda não foram divulgadas as causas oficiais do acidente, mas aparentemente o naufrágio foi provocado pelo choque do navio com uma rocha, que teria provocado a ruptura no casco. A embarcação continuou navegando até que a tripulação emitiu uma sinalização à Capitania dos Portos, informando que "entrava água" no barco, disse a agência de notícias italiana Ansa.

A tripulação teria imaginado, em princípio, que poderia conter a emergência. Quando notou que seria impossível, informa a Ansa, a tripulação resolveu mudar a rota e se dirigir à ilha de Giglio, segundo investigações preliminares. Especialistas italianos afirmam que a proximidade com o continente impediu que o acidente tivesse proporções maiores.

O Costa Concordia seguia uma "rota errada, não deveria estar naquele ponto", disse à Ansa uma fonte ligada às investigações técnicas. "Se isso ocorreu por um erro humano, por uma falha nos dispositivos de bordo ou pelas duas causas, será determinado pelas investigações recém-iniciadas", acrescentou.

A Guarda Costeira italiana vai abrir duas investigações (uma penal e uma administrativa). Também será aberto um inquérito para investigar as causas do acidente, anunciou o procurador de Grosseto, Francesco Verusio.

A Costa Cruzeiros informou que os procedimentos de segurança foram seguidos corretamente. "Em 64 anos de história, é o momento mais trágico para a Costa Cruzeiros, estamos consternados", disse Gianni Onorato, diretor-geral da companhia.

O Costa Concordia tinha 4.229 pessoas a bordo, sendo 3.209 passageiros. Conforme a empresa responsável pelo cruzeiro, havia passageiros de inúmeras nacionalidades, incluindo italianos (989), alemães (569), franceses (462), espanhóis (177), americanos (129), croatas (127), russos (108), colombianos (10), chilenos (10), peruanos (8), venezuelanos (5), cubanos (2), equatorianos (2), mexicanos (2) e um uruguaio. (Com Ansa)

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