Costa do Marfim diz ter frustrado golpe de Estado

O ministro de Defesa da Costa do Marfim declarou hoje sob controle as principais cidades, após uma tentativa de golpe militar no qual morreram mais de 80 pessoas, entre elas o ministro do Interior, Emile Boga Doudou, e o ex-ditador general Robert Guei. "Segundo nossas informações, podemos dizer que se tratou de uma tentativa de golpe", disse o ministro da Defesa Lida Moise Kouassi por meio da TV estatal, na primeira transmissão da emissora desde o início do motim de mais de 750 militares, 12 horas antes, na capital comercial da Costa do Marfim, Abidjã.O governo decretou o toque de recolher em todo o território e as Forças Armadas foram mobilizadas para sufocar alguns focos de resistência nas cidades de Bouake e Khorogo.Um assistente presidencial, Alain Toussaint, disse que Guei, a quem acusou de participar na revolta, foi morto pelas forças do governo. Segundo um sargento, a polícia paramilitar disparou contra seu veículo depois que ele não parou em um posto de controle no centro de Abidjã.O ministro do Interior foi morto quando os insurgentes atacaram sua casa, a do ministro da Defesa, assim como bases militares logo ao amanhecer. A crise começou enquanto o presidente Gbagbo, um professor de 57 anos, socialista e defensor do livre mercado, realizava uma visita oficial à Itália.Na semana passada, o general Guei rompeu o silêncio de vários meses ao criticar o governo do presidente Laurent Gbagbo, acusando-o de má administração e de deter civis e soldados de forma injustificada. Guei tomou o poder em 1999 com um golpe de Estado que começou por causa de uma disputa salarial e assumiu o controle do país até 2000.O descontentamento é praticamente constante entre a maioria das forças de segurança da Costa do Marfim, antiga colônia francesa, onde os soldados consideram que não receberam o prometido após o golpe militar de 1999.

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