Costa do Marfim faz primeira eleição presidencial em dez anos

País da África Ocidental busca reconciliação entre norte e sul após guerra civil.

BBC Brasil, BBC

31 de outubro de 2010 | 17h30

Pleito teve fila, mas transcorreu sem grandes incidentes

Eleitores foram às urnas neste domingo na Costa do Marfim para participar de eleições presidenciais que haviam sido adiadas seis vezes.

O pleito, o primeiro em dez anos, é tido como um passo crucial para a reconciliação e resolução dos conflitos étnicos do país, que praticamente dividiram o país em dois durante a guerra civil de 2002.

O norte passou a ser controlado por rebeldes, e o sul, pelo governo.

Um acordo assinado em 2007 derivou em uma paz frágil na Costa do Marfim, que antes do golpe de Estado, ocorrido em 1999, era vista como um dos países mais estáveis da África Ocidental e líder mundial na produção de cacau.

O atual presidente, Laurent Gbagbo, concorre neste domingo à reeleição contra outros 13 candidatos - incluindo um ex-presidente e um ex-premiê -, em meio a preocupações quanto à estabilidade do país se os resultados eleitorais forem contestados.

Atrasos

Em algumas áreas em Abidjã, maior cidade do país, as seções eleitorais abriram com atraso, despertando reclamações. Os eleitores também se queixaram de falta de transporte público.

Mas, em geral, o pleito transcorreu de forma tranquila e teve alto comparecimento.

O líder dos observadores eleitorais da União Europeia, Cristian Dan Preda, disse que "os marfinenses foram obrigados a ficar sob o sol por três horas (nas filas eleitorais) porque eles queriam votar. É impressionante, a atmosfera é muito boa. Pena que algumas seções não abriram na hora".

"Esta eleição tinha que ocorrer, para que a Costa do Marfim (deixe para trás) guerra civil", declarou Gbagbo, cujo mandato terminou oficialmente em 2005.

Entre os adversários de Gbagbo estão o ex-premiê Alassane Ouattara, banido de pleitos anteriores, e o ex-presidente Henri Konan Bedie, que fora deposto pelo golpe de 1999.

É improvável que um dos candidatos obtenha uma maioria simples, portanto é esperado que o pleito vá para o segundo turno.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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