Costa do Marfim passa por corrida aos bancos

A população da Costa do Marfim iniciou hoje uma corrida aos bancos em meio a temores de que mais instituições financeiras fechem as portas como consequência da crise pós-eleitoral no país africano. Dezenas de pessoas aglomeravam-se em filas nas portas das agências bancárias de Abidjã, a capital marfinense, desde o início da manhã depois de quatro bancos estrangeiros terem anunciado a suspensão de suas atividades na Costa do Marfim.

AE, Agência Estado

17 de fevereiro de 2011 | 20h23

"Quero ter meu dinheiro na mão. Ninguém sabe o que vai acontecer", disse um soldado a um repórter da AFP enquanto aguardava na fila de uma agência do marroquino Société Ivoirienne de Banque no bairro de Plateau, em Abidjã.

Cinco bancos estrangeiros já fecharam suas agências na Costa do Marfim em meio a uma crise causada pelas sanções adotadas pelo BCEAO, banco central do oeste africano, contra o governo de Laurent Gbagbo. O SGBCI, subsidiária do Société Générale e um dos maiores bancos marfinense, fechou as portas hoje, seguindo os passos do britânico Standard Chartered, do norte-americano Citibank, do nigeriano Access Bank e do Bicici, filiado ao francês BNP Paribas.

Também hoje, quatro bancos locais menores anunciaram a suspensão de suas atividades sob a alegação de "dificuldades técnicas". O BCEAO, sediado em Dacar, congelou os recursos do governo da Costa do Marfim depois de a comunidade internacional ter reconhecido a vitória de Alassane Ouattara, opositor de Gbagbo, nas eleições presidenciais de novembro de 2010.

Na semana passada, o BC do oeste africano advertiu que os bancos que continuassem a se relacionar financeiramente com o regime de Gbagbo, que se recusa a entregar o poder, estariam sujeitos a sanções, inclusive a possibilidade de serem excluídos do sistema regional de liquidação de posições.

Ontem, o ministro de Orçamento de Gbagbo, Kone Katinan, acusou terceiros de tentarem desestabilizar o país e prometeu que o governo "faria tudo o que estivesse a seu alcance para ajudar a população". As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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