Costa leste dos EUA se prepara para enchentes decorrentes do furacão Sandy

Preocupação é maior porque uma frente fria vinda do Canadá e tempestades do oeste do país podem elevar riscos de estragos

Gustavo Chacra, correspondente em NY, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 15h06

 A costa leste americana, região mais populosa dos Estados Unidos, onde estão cidades como Nova York, Washington e Filadélfia, se prepara para enchentes e fortes ventos com a chegada nesta segunda-feira, 29, do furacão Sandy, uma semana antes das eleições presidenciais.

 

Ao todo, cerca de 60 milhões de pessoas vivem nas áreas que serão atingidas pelos ventos de até 100 km/h do Sandy, classificado como categoria 1, o mais ameno. Ainda assim, existe uma preocupação maior porque o furacão ocorrerá simultaneamente com uma frente fria vinda do Canadá e tempestades do oeste dos Estados Unidos, elevando o risco de estragos e de maior precipitação, atingindo até dois metros.

 

Todo o transporte público de Nova York foi fechado na noite de ontem e deve ser reaberto, se a situação permitir, apenas amanhã ou na quarta feira, por determinação do governo do Estado e da prefeitura da cidade. Um dos maiores temores é que o metrô seja alagado. A circulação de carros nas pontes que ligam as diferentes regiões da cidade, como Manhattan, Brooklyn e Queens, pode ser interrompida, com cada caso sendo analisado separadamente.

 

O objetivo de suspender o funcionamento do transporte público em Nova York cerca de 24 horas antes da chegada do furacão é impedir que as pessoas fiquem indo de um lugar para o outro e permaneçam ao redor de suas casas.

 

Companhias aéreas, ao redor da costa Leste dos EUA, cancelaram milhares de voos na segunda-feira. Ontem, porém, os aeroportos funcionavam normalmente. Ainda não há definição sobre como será na terça-feira e tudo dependerá do efeito do furacão. Um dos problemas seria, nesta segunda, mesmo antes do furacão, chegar ao aeroporto sem transporte público, embora táxis possam circular.

 

O prefeito Michael Bloomberg também ordenou a evacuação de uma série de áreas de Nova York. Entre as regiões atingidas, estão sofisticados bairros, como Battery Park, ao lado do distrito financeiro, e também partes costeiras da cidade tanto no oceano Atlântico como também ao longo dos rios Hudson e East. Ao todo, meio milhão de pessoas devem deixar suas casas e, se preferirem, rumar para abrigos da prefeitura - animais de estimação também podem ser levados.

 

"Se vocês não evacuarem, estarão colocando em risco não apenas a sua vida, como também das pessoas que precisarão resgatá-los. Esta é uma tempestade séria e perigosa", afirmou o prefeito em entrevista coletiva. Um dos problemas tem sido convencer a população dos riscos. Em agosto do ano passado, medidas similares foram tomadas com a aproximação da tempestade tropical Irene e praticamente nada aconteceu na cidade, apesar de fortes estragos terem sido causados nos Estados vizinhos.

 

As aulas nas escolas públicas de Nova York foram suspensas, por decisão de Bloomberg. Nas instituições particulares, o mesmo procedimento deveria ser aprovado. Restaurantes e muitos escritórios não devem abrir. Segundo o Wall Street Journal, a Bolsa de Valores funcionará e os bancos montaram operações de contingência para o furacão.

 

No domingo, moradores da cidade lotavam os supermercados e farmácias. Em alguns deles, não havia mais água para comprar. A recomendação também era para comprar alimentos não perecíveis, rádio e lanternas. O uso de elevador, em uma cidade onde alguns prédios residenciais têm mais de 50 andares, deveria ser evitado a partir de segunda-feira. Um dos problemas em Nova York e Nova Jersey, como no episódio do Irene, são os surfistas que querem aproveitar altas ondas, de até 3 metros. O risco é que haja necessidade de deslocamento dos bombeiros para salvamentos.

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