AP Photo/Markus Schreiber
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Cotada para suceder Merkel, presidente da CDU abandona cargo após alinhamento com a extrema direita

Annegret Kramp-Karrenbauer comunicou decisão ao partido, que deve escolher um novo candidato para 2021

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 12h24

BERLIM – Vista como sucessora natural da chanceler Angela Merkel nas eleições de 2021, a presidente da União Democrata Cristã (CDU, na sigla original), Annegret Kramp-Karrenbauer anunciou que não vai lançar candidatura ao cargo e que vai deixar a presidência do partido. Em comunicado à CDU, Kramp-Karrenbauer justificou a decisão ao citar a tentação de um setor do partido de aliar-se ao movimento de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

O anúncio da presidente da CDU, conhecida pelas iniciais AKK, foi feito dias depois de seu partido aceitar o apoio do AfD para eleger um aliado como primeiro-ministro do Estado da Turíngia, no leste da Alemanha. Foi a primeira vez na história que o partido de Merkel se alinhou à extrema-direita.

No comunicado, Kramp-Karrenbauer explicou que "uma parte da CDU tem uma relação pouco clara com a AfD", e com o partido de esquerda radical Die Linke (A Esquerda). Ela disse que rejeita qualquer aliança com as duas formações, informou à AFP uma fonte do partido.

Durante o próximo verão no hemisfério norte (inverno no Brasil), o partido deve organizar um processo de seleção da candidatura à chancelaria para suceder Merkel no cargo.

AKK foi eleita presidente da CDU em dezembro de 2018 em substituição a Merkel, que decidiu renunciar ao comando do partido por sua crescente impopularidade após uma série de derrotas eleitorais e o avanço da extrema-direita nas urnas.

Apesar da mudança, a nova líder também foi criticada pela incapacidade de impor uma linha ao partido, dividido entre adversários e partidários de uma cooperação com a AfD, sobretudo nos estados do leste, que pertenciam à Alemanha Oriental, e onde a extrema-direita é mais forte.

Apesar da renúncia ao cargo e da desistência das eleições, Kramp-Karrenbauer deve seguir à frente do ministério da Defesa.

Possíveis sucessores de Merkel

Após a renúncia da presidência do partido por AKK e o anúncio de que a mesma não pretende mais disputar a chancelaria alemã, iniciou-se uma especulação de quem pode ser o próximo chefe-de-governo da Alemanha. Conheça alguns dos nomes cogitados a entrarem na disputa.

Friedrich Merz: Advogado de 64 anos, Merz é um velho inimigo da chanceler Angela Merkel desde os anos 90. Foi derrotado por AKK na disputa pela liderança do partido em 2018. Merz é favorável a uma guinada à direita para recuperar os eleitores conservadores que migraram para o AfD. Se assumir a presidência da CDU, a tendência é que ele pressione Merkel a abandonar o poder prematuramente.

Armin Laschet: Aos 58 anos, Laschet governa a Renânia do Norte-Westfália, onde está a federação mais importante da CDU. Próximo a Merkel, tem boas relações com os setores mais conservadores do partido por defender a bandeira da luta contra a criminalidade.

Laschet também tem uma boa aceitação entre os membros do Partido Social Democrata (PSD), que apoia o atual governo de Merkel.

Jens Spahn: Ministro da Saúde, é muito elogiado por seu trabalho conduzindo a pasta. No espectro político, está à direita do partido e no campo ‘anti-Merkel’, a quem criticou em 2015 por sua política migratória. No entanto, analistas questionam como uma sigla conservadora como a CDU reagirá a pouca idade (Spahn tem 39 anos) e a homoafetividade assumida do candidato, e quanto isso pode prejudicar sua indicação.

Markus Söder: Presidente da União Social Cristã (CSU), partido aliado da CDU, há pouco mais de um ano, Söder se apresenta como uma das opções para suceder Merkel. Com 53 anos, o político defende bandeiras como os valores tradicionais cristãos e tenta há alguns meses assumir uma identidade mais moderada, insistindo na defesa do meio ambiente.

Foi um dos primeiros dirigentes partidários a condenar categoricamente a eleição de um dirigente liberal na região da Turíngia, com o apoio da extrema direita./ AFP

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