CPI investigará acordos com Líbia

Oposição francesa questiona venda de mísseis a Trípoli

Ap e Efe, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2004 | 00h00

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, apoiou ontem a proposta para criação de uma comissão parlamentar para investigar a relação entre a libertação das cinco enfermeiras búlgaras e do médico palestinos - presos em Trípoli havia oito anos - e contratos para venda de armas e equipamentos de comunicação aos líbios. O comunicado foi emitido pelo Palácio do Eliseu em meio a acusações da oposição francesa de que os contratos , no valor de US$ 405 milhões, teriam sido um pagamento de resgate pelas enfermeiras e pelo médico, condenados à morte sob a acusação de terem infectado deliberadamente 460 crianças líbias com o vírus HIV. Os seis foram libertados no dia 24, após negociações envolvendo o governo búlgaro, a União Européia e a mulher de Sarkozy, Cécilia. No dia 25, o presidente francês chegou a Trípoli onde assinou vários acordos, entre eles um de cooperação nuclear. Sarkozy fez questão de ressaltar que os acordos assinados na Líbia não faziam parte das negociações de libertação. A polêmica começou na quarta-feira, quando Seif al-Islam Kadafi, filho do líder líbio Muamar Kadafi, revelou ao jornal francês Le Monde a existência de um acordo para venda de mísseis fabricados pela MBDA (filial do grupo europeu EADS), que teria sido chave nas negociações com a UE. No dia seguinte, um alto funcionário do governo líbio voltou a falar dos acordos, até então não confirmados por Paris.Ontem, no entanto, o ministro da Defesa, Hervé Morin, admitiu a existência do contrato para vendas de armas, o primeiro entre a Líbia e um país ocidental desde 2004, quando a UE suspendeu as sanções contra o país. Além disso, o ministro disse que as negociações começaram em fevereiro, durante o governo do então presidente Jacques Chirac. A EADS, por sua vez, afirmou que o contrato foi finalizado após 18 meses de negociações. Apesar dos esforços do governo para distanciar-se dos polêmicos contratos, a oposição contestou ontem as negociações. "Como se pode admitir que em uma democracia na qual Sarkozy prega a transparência, que seja o filho de Kadafi que anuncie um contrato de armamento?", questionou o líder socialista, François Hollande.

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