CPLP apóia Pastoral da Criança ao Nobel da Paz

A candidatura da Pastoral da Criança ao Prêmio Nobel da Paz de 2002, proposta pelo governo brasileiro, ganhou njesta quinta-feira o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Declaração aprovada no final do encontro dos chefes de Estado e de governo da organização apóia a indicação da Pastoral, que é presidida pela médica Zilda Arns e é ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A CPLP é integrada por Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Bissau e Timor-Leste. A Pastoral da Criança já realiza programas sociais em alguns desses países. Ao fazer um resumo dos entendimentos, depois de dois dias de reunião, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que os dirigentes da CPLP aprovaram também documento em que pedem a construção de instituições internacionais capazes de evitar os efeitos nocivos da globalização, como a concentração de riqueza e a exclusão tecnológica. O documento, cujo texto completo não foi divulgado pelo Itamaraty, pede ainda abertura dos mercados dos países ricos aos produtos dos países em desenvolvimento. Segundo Fernando Henrique, os líderes da CPLP condenaram ainda o terrorismo, mas manifestaram sua preocupação com o unilateralismo na condução dos assuntos mundiais - uma referência velada à política adotada pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro. "Às vezes, as pretensões do unilateralismo ficam curtas diante das necessidades dos povos?, disse o presidente brasileiro. Durante o encontro, o governo brasileiro assinou vários acordos bilaterais com países da CPLP. Um deles garante o envio de 50 professores para ensinar português no Timor-Leste durante cinco anos. O programa custará US$ 1 milhão. O Brasil assinou ainda acordo para implantar em Angola o programa Escola para Todos. E um convênio com Moçambique prevê o uso de satélites brasileiros em programas de monitoramento ambiental. Segundo o presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, que está deixando a presidência da entidade, os chefes de governo concordaram ainda em utilizar mais intensamente os meios de comunicação social para divulgar a CPLP e seus projetos. O presidente de Portugal, Jorge Sampaio, propôs que astros do futebol, como o brasileiro Ronaldo e o português Figo, divulguem o programa de combate à aids, um dos projetos aprovado pela CPLP durante o encontro.

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