Mike Blake/Reuters
Mike Blake/Reuters

Cresce apoio à candidatura de Biden

Anúncio que pede entrada do vice-presidente nas primárias democratas é divulgado horas antes do primeiro debate entre pré-candidatos

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2015 | 02h03

WASHINGTON - Poucas horas antes do início do primeiro debate entre os pré-candidatos democratas à presidência dos EUA, um anúncio veiculado na CNN pedia que o vice-presidente Joe Biden entre na corrida pela Casa Branca. Ausente do enfrentamento promovido pela emissora na noite de ontem, ele continua a ser a principal incerteza na definição do nome da legenda para a sucessão de Barack Obama.

O calendário eleitoral fará com que o suspense acabe logo. Se quiser ter seu nome na cédula das primárias de todos os Estados, Biden terá de oficializar seu nome até o fim deste mês. Na Geórgia, o prazo final para que o candidato comunique ao partido sua intenção de disputar a nomeação termina no dia 29 de outubro. A data-limite em vários outros Estados cai nos primeiros dias de novembro.

Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada ontem mostrou que metade dos eleitores democratas gostaria que o vice-presidente entrasse na corrida pela indicação do candidato do partido, liderada pela ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Apesar da dianteira nas pesquisas de opinião, ela viu sua grande vantagem ser reduzida pelo avanço do senador Bernie Sanders, que conquistou eleitores com um discurso crítico ao poder econômico e favorável a um Estado de bem-estar social.

O anúncio em defesa da candidatura do vice-presidente foi pago por um super-PAC (Comitê de Ação Política, na sigla em inglês), um tipo de organização que pode arrecadar recursos de maneira ilimitada para promover suas posições - e candidatos -, desde que não tenha vínculo formal com as campanhas.

A peça usa trecho do discurso no qual Biden defendeu a candidatura de Barack Obama na convenção democrata de 2012, no qual ele disse: "Vocês nunca desistem da América e vocês merecem um presidente que nunca desista de vocês". O anúncio termina com uma mensagem na tela: "Joe, run" - um trocadilho que pode ser traduzido como "Joe, seja candidato" e "Joe, se apresse".

O vice-presidente tem afirmado que a situação de sua família será o principal fator que influenciará sua decisão. Seu filho mais velho, Beau Biden, morreu em maio, aos 46 anos, vítima de um câncer no cérebro. Em texto publicado em agosto, a colunista do New York Times Maureen Dowd disse que, antes de morrer, Beau pediu a Biden que disputasse a presidência.

"Ele tentou convencer seu pai a se candidatar, argumentando que a Casa Branca não deveria retornar aos Clinton, que o país estaria melhor com os valores dos Biden", escreveu a colunista, uma das principais críticas de Hillary na imprensa americana.

Em reportagem divulgada na semana passada, o jornal Politico, especializado na cobertura de Washington, disse que a fonte do texto de Dowd foi o próprio Biden. A publicação da coluna deu início à onda de especulação em torno da candidatura, que se mantém até hoje.

Apesar de metade dos eleitores democratas se declarar a favor da candidatura do vice-presidente, apenas 17% afirmaram que ele seria sua escolha preferencial nas primárias. Hillary lidera com 46%, seguida de Sanders, que obteria 25%. A tendência é que esse cenário mude, caso Biden entre na corrida.

Pesquisa divulgada ontem pela Universidade Quinnipiac mostrou que o vice-presidente teria a mais ampla margem de vantagem contra os prováveis adversários republicanos entre todos os democratas que buscam a candidatura do partido. Biden derrotaria Donald Trump com 55% dos votos.

Mais conteúdo sobre:
Joe Biden Eleições nos EUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.