Cresce impopularidade do presidente da Venezuela

Pesquisas do Instituto Mercanalises divulgadas hoje indicam que a popularidade do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que enfrenta o momento mais difícil de seu governo, caiu de 59% em agosto para 37% em novembro. O porcentual de entrevistados que faz avaliação negativa do governo subiu de 40% para 63%. Setenta e sete por cento disseram que não confiam no presidente e 61% responderam que, se houvesse um referendo, tirariam Chávez do poder. Outra pesquisa, divulgada pelo canal de notícias Globovision, apontou que 76% de entrevistados dizem que é necessário esperar antes de se decidir por um golpe contra o presidente. Dezenove por cento responderam que o golpe é necessário.Quem chega a Caracas nestes dias tem a sensação de estar às vésperas de uma eleição muito disputada. Na verdade, é o reflexo do momento enfrentado pelo presidente venezuelano. De um lado, proliferam manifestações contra o governo e, de outro, passeatas e atos públicos em favor do presidente, organizados pelo próprio Chávez. Na noite de ontem, Chávez participou da manifestação em comemoração pelos três anos da "revolução bolivariana", em frente ao Palácio Miraflores. De boina vermelha, diante de muitas bandeiras com a imagem de Che Guevara, disse que seu governo é voltado para os pobres.Chávez também fez um pronunciamento em cadeia de rádio de televisão. Disse que não está fechado para o diálogo e negou que um golpe esteja em curso na Venezuela. "As Forças Armadas estão com a revolução", afirmou.O presidente citou trechos de poesias, pregou "paz na terra aos homens de boa vontade" e até ironizou a paralisação programada para segunda-feira. "Se o comércio vai fechar, os vendedores ambulantes venderão mais." Enquanto isso, as televisões anunciam propaganda do principal sindicato de empresários do país, a Federação de Câmaras da Venezuela. O presidente da instituição, Pedro Carmona, pediu aos venezuelanos: "No dia 10, fique em casa. Presidente, retifique-se." Outros grupos de empresários vão à televisão com discurso de mais confronto, com slogans como "Não ao comunismo".Chávez organizou uma agenda de manifestações para minimizar os efeitos da paralisação que, segundo os organizadores, deve atingir 1 milhão de estabelecimentos comerciais da Venezuela. Para este sábado, o presidente convocou um comício ao lado de lideranças indígenas. Domingo, pretende fazer a "tomada de Caracas pelos camponeses" e, na segunda-feira, promete comemorar o aniversário da Força Aérea da Venezuela enchendo os céus do país de aviões militares.

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