Cresce mistério sobre surto de gripe aviária na China

Autoridades da área de saúde lançaram nesta sexta-feira mais dúvidas sobre a origem da nova cepa da gripe aviária que está infectando humanos na China, após dados indicando que mais de metade dos pacientes não teve contato com aves.

MEGHA RAJAGO, Reuters

19 de abril de 2013 | 10h26

O vírus H7N9 já foi diagnosticado em 87 pessoas, principalmente no leste da China, e matou 17 pacientes.

Não está claro como as pessoas estão sendo contaminadas, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse não haver indícios apontando para o cenário mais preocupante -- a contaminação regular entre pessoas.

O representante da OMS na China, Michael O'Leary, divulgou dados nesta sexta-feira mostrando que metade dos pacientes examinados não havia tido contato com aves, o que seria a origem mais óbvia da contaminação. Mas ele disse também que a transmissão entre humanos parece ser rara.

"Esse é ainda um vírus animal que ocasionalmente infecta humanos", afirmou. "Com raras exceções, sabemos que as pessoas não estão ficando doentes a partir de outras pessoas."

Especialistas dizem que é prematuro afirmar ou descartar que as pessoas contaminadas tenham tido contato com aves de criação, e eles observam que o contato com aves selvagens é ainda mais difícil de estabelecer.

Um estudo científico publicado na semana passada mostrou que a cepa H7N9 é de um vírus "triplo recombinante", com uma mistura de genes de outras cepas de gripe encontradas em aves da Ásia. Uma dessas três cepas provavelmente seria originária de um passarinho chamado tentilhão-montês.

O virologista Ian Jones, da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha, disse que nenhum estudo científico conseguiu até agora identificar a origem exata da contaminação humana ou a rota da transmissão. "São coisas sobre as quais precisamos saber", afirmou.

Nos próximos dias, especialistas sob o comando da OMS e do governo chinês vão visitar mercados avícolas e hospitais em Pequim e Xangai.

Algumas amostras aviárias já tiveram resultados positivos, e a China abateu milhares de aves e fechou alguns mercados que vendem animais vivos.

Um porta-voz da OMS disse em Genebra que "os indícios sugerem que as aves de criação sejam um veículo de transmissão, mas os epidemiologistas não conseguiram ainda estabelecer uma ligação forte e clara".

(Reportagem adicional de Terril Yue Jones, em Pequim, e Stephanie Nebehay, em Genebra)

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