Cresce número de grupos suíços de auxílio à eutanásia

Nos últimos anos, tem crescido o número de entidades na Suíça que prestam um serviço especial: ajudar cidadãos do país, ou estrangeiros, que queiram morrer. A eutanásia é apenas permitida na Holanda e na Bélgica e, mesmo assim, sob condições especiais. Na Suíça, porém, a lei abre uma brecha para permitir que, se a pessoa desejar e se sua condição de saúde justificar o ato, ocorra o suicídio com a ajuda de terceiros. A lei não criminaliza os indivíduos que ajudem os pacientes a se matar, com a condição de que seja o próprio paciente que injete ou tome o produto que o levará à morte. Outra condição para o funcionamento dessas entidades é de que os funcionários não recebam salários e todo o trabalho seja voluntário. Apesar disso, as pessoas que buscam os serviços devem pagar uma taxa, apenas para cobrir os custos do produto - na maioria das vezes o pentobarbital - que será utilizado para levar à morte. A ajuda inclui não apenas encontrar a droga, mas também apoio moral e conselhos. "É o paciente, porém, que toma a decisão final se quer morrer ou não", explica um representante de uma das entidades suíças. Uma dessas organizações é a Dignitas, com sede na pequena cidade de Forch. Com o slogan "Viver com Dignidade, Morrer com Dignidade", a entidade foi formada em 1995 e é dirigida pelo advogado Ludwig Minelli. Para obter o serviço, o indivíduo deve pagar 25 francos suíços, cerca de R$ 50,00. Segundo representantes da organização, para que uma pessoa seja aceita para receber o serviço, ela deve provar, por meio de atestados médicos, que sua doença é incurável e que ela sofre dores que não podem ser remediadas com medicamentos. Além disso, deve conseguir de um médico suíço uma receita para comprar o pentobarbital. Outra entidade que presta o serviço é a Exit, ou "saída", em inglês. A organização, com escritório em Zurique, informa à polícia todas as vezes que um paciente recebe seu serviço. Advogados e policiais vão ao local e a morte é registrada como suicídio. Por ano, mais de 120 mortes são registradas na Exit. A entidade, porém, se recusa a tratar de estrangeiros ou de pessoas com problemas mentais. A Exit ainda exige que o paciente tenha mais de dezoito anos e que tenha sido ele mesmo o autor do pedido para morrer. Uma vez feito o pedido, médicos da Exit consideram o caso e, se necessário, consultam advogados. A notícia sobre a existência desses centros está despertando o interesse de muitos europeus. Segundo as entidades, cresce a procura de estrangeiros pelos serviços dos suíços, que são os únicos que ajudam estrangeiros a morrer. É o chamado "turismo da morte", que vem atraindo ingleses, franceses e alemães. "As pessoas que querem ter liberdade para morrer procuram a Suíça", afirma uma representante de uma das entidades, que prefere não se identificar. A maioria dos pacientes que vai às clínicas, e que não podem ter seus nomes declarados, sofrem de câncer. A maioria tem mais de 65 anos e cerca de 15% dos pedidos não são aceitos pelas entidades.

Agencia Estado,

22 Agosto 2002 | 18h41

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