Cresce preocupação com refugiados afegãos

A agência das Nações Unidas responsável por refugiados afirmou nesta terça-feira estar muito preocupada com o crescente número de afegãos que estão deixando o país por causa de perseguição racial e falta de ajuda. "O ritmo deste fluxo é realmente alarmante", disse Kris Janowski, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).Cerca de 15 mil pessoas fugiram para Chaman, no Paquistão, nos últimos dez dias, informou Janowski. Desde o início do ano, um total de 50 mil foram para o campo de Killi Faizo, que fica nesta cidade, afirmou o porta-voz. "Os afegãos também estão parecendo cada vez mais destituídos de tudo", disse. "O que mais preocupa é que os recém chegados dizem que muitos outros virão atrás deles."Janowski afirmou que muitos dos recém chegados são kuchis - nômades afegãos - que dizem ter ficado sem comida por causa da longa seca no país. As agências de ajuda humanitária lançaram uma grande operação de emergência no Afeganistão após a queda dos radicais talebans no final do ano passado, mas grande parte do país continua instável. "Grandes áreas continuam sem ser atendidas", dificultando a distribuição de comida para os famintos, afirmou Janowski. "Trata-se basicamente de um problema de segurança."Outros refugiados estão saindo do país em virtude de enfrentarem roubos e intimidações, afirmou Janowski. Muitos deles fazem parte da etnia pashtun. Embora os pashtuns sejam o grupo majoritário no Afeganistão, são uma minoria no norte do país. A região é dominada pelas forças que derrubaram o taleban com a ajuda da campanha de bombardeios liderada pelos Estados Unidos.Os refugiados pashtuns afirmam ser vítimas de perseguição, "freqüentemente estimulada pelos comandantes locais", declarou Janowski. A base de poder do taleban era em grande parte pashtun. Juntos, o Paquistão e o Irã abrigam cerca de 3,5 milhões de refugiados afegãos, que deixaram o país ao longo de duas décadas de conflitos e anos de seca.O Acnur afirma que 143 mil pessoas retornaram para o Afeganistão desde o início do ano. Muitos deles fazem parte de grupos minoritários como os tajiques e os uzbeques, que fizeram oposição ao regime do taleban. Janowski disse que agora o país enfrenta uma "situação completamente nova". "As pessoas que voltaram são em maior número do que aquelas que estão saindo", disse Janowski. Mas se os últimos êxodos continuarem esses números poderão se inverter, afirmou o porta-voz.Leia o especial

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