Cresce pressão contra capitalismo de Estado

Para economistas, o atual modelo é insustentável e abre espaço para as autoridades buscarem ganhos pessoais

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2012 | 03h03

As vozes em defesa da retomada das reformas na China são cada vez mais estridentes, no mais claro indício de paralisia do processo. O Banco Mundial divulgou relatório no qual fala da urgência da tarefa e o primeiro-ministro Wen Jiabao disse ao Congresso Nacional do Povo há uma semana que a transformação do modelo de desenvolvimento é a mais importante missão diante do Partido Comunista.

Também cresce a pressão por mudanças políticas e, para alguns, elas são pré-requisito para o sucesso de reformas pró-mercado. Considerado um dos mais importantes economistas chineses, Wu Jinglian afirmou no mês passado que as reformas econômicas não podem ser aplicadas sem transformações políticas. Segundo ele, esta é a questão "latente" desde 1992, quando Deng Xiaoping realizou sua célebre viagem ao sul da China para relançar o processo de reformas que estava estagnado desde a repressão aos protestos na Praça Tiananmen em 1989.

Atualmente, é o governo que desempenha o principal papel na alocação de recursos como crédito e terra, em decisões políticas que nem sempre levam em conta a racionalidade econômica do investimento.

Integrante do Centro de Pesquisa em Desenvolvimento do Conselho de Estado, Wu defende o estabelecimento de um sistema com base no império da lei, que dê previsibilidade, garanta direitos de propriedade e permita que o mercado arbitre preços e aplicação de recursos.

Corrupção. Editora da revista financeira Caixin, uma das mais independentes publicações do país, a jornalista Hu Shuli escreveu artigo no dia 1.º atacando o capitalismo de Estado que ganhou fôlego na China desde a crise de 2008, afirmando que ele é incompatível com o modelo de economia socialista de mercado de Deng Xiaoping.

"A mão pesada do Estado cria e sustenta monopólios, sufoca a concorrência e mina um mercado justo. Evidências empíricas mostram repetidamente que o capital estatal é menos eficiente que o privado", escreveu Hu em artigo publicado no jornal South China Morning Post, de Hong Kong. "Acima de tudo, ele abre espaço para autoridades buscarem ganhos pessoais. O desenvolvimento da rede de trens rápidos da China, com sua série de escândalos de corrupção, é um microcosmo desse sistema."

O economista Mao Yushi afirma que o atual modelo é insustentável e defende a realização de reformas, mas é pouco otimista quanto a sua implementação. "O PC sempre insistiu na propriedade pública e reluta em mudar. A situação agravou-se em anos recentes, pois há sérios conflitos em relação às reformas políticas e eu acredito que o lado que defende os princípios tradicionais vai prevalecer." / C.T.

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