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Oswaldo Rivas/Reuters
Oswaldo Rivas/Reuters

Cresce pressão internacional para Ortega encerrar perseguição à oposição na Nicarágua

Comunidade internacional pressiona presidente da Nicarágua sobre fim de perseguição a jornalistas e adversários políticos

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 20h00

GENEBRA  - O governo da Nicarágua tem enfrentado uma crescente pressão internacional esta semana para encerrar sua repressão sobre oponentes políticos, em meio a relatos de que um importante jornalista teria fugido do país e que uma ex-primeira dama teria sido colocada em prisão domiciliar. 

Em um comunicado conjunto na terça-feira, 22, 59 países no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), incluindo Brasil, demandaram que o governo do presidente Daniel Ortega reverta a campanha que tem perseguido líderes da oposição, jornalistas, ativistas de direitos humanos e empresários através de intimidação e prisão antes das eleições presidenciais em novembro. 

“Estamos profundamente preocupados com leis promulgadas recentemente, que indevidamente restringem a participação política, liberdade de expressão, e assembleias e associações pacíficas. A dissolução arbitrária de partidos políticos e procedimentos criminais contra vários dos presidenciáveis e dissidentes são especialmente preocupantes”, disse o comunicado. 

Nas últimas semanas, autoridades têm aumentado especialmente a perseguição de rivais políticos de Ortega, no que a Human Rights Watch disse parecer ser “parte de uma estratégia mais ampla para suprimir a dissidência, causar medo e restringir a participação política.”

Ortega está em busca de um quarto mandato consecutivo como presidente. Ele anteriormente ocupou o cargo de 1984 a 1990. 

Também na terça, a alta comissária para os direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, alertou sobre uma “deterioração acelerada da situação dos direitos humanos” na nação centro-americana, onde ela disse que “um clima de medo” tornou improvável que um voto livre e justo aconteça.

“Esta crise não apenas não mostra sinais de ser superada, mas tem piorado de forma alarmante”, disse Bachelet. 

A crítica internacional escalou quando o proeminente jornalista nicaraguano Carlos Fernando Chamorro anunciou na terça-feira no Twitter que ele e sua esposa haviam fugido do país depois de uma batida policial em sua casa. 

“Eu e minha esposa Desirée Elizondo deixamos a Nicarágua para proteger nossa liberdade. Fazer jornalismo e reportar a verdade não é um crime”, disse Chamorro, que edita o site de notícias Confidential e é membro de uma das famílias políticas mais poderosas do país. 

Sua irmã, Cristina Chamorro Barrios, uma potencial candidata à presidência, foi colocada sob prisão domiciliar no começo deste mês depois que promotores a acusaram de lavagem de dinheiro e tentaram bani-la da corrida eleitoral. 

Na segunda-feira, a polícia da Nicarágua também disse que havia posto a ex-primeira dama María Fernanda Flores Lanzas em prisão domiciliar por supostos crimes contra o estado. 

A “gravidade e intensificação da perseguição brutal contra a oposição nicaraguana elimina qualquer possibilidade de uma eleição presidencial livre e justa em novembro”, disse o diretor das Américas na Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, em um comunicado na terça-feira. 

No Conselho de Direitos Humanos, o ministro de relações exteriores da Nicarágua, Denis Moncada, negou que as prisões recentes tivessem motivação política, segundo a Reuters. Ele também acusou os Estados Unidos e a Europa de “séculos de agressões e interferências.” 

“Nós temos o direito à paz que nós temos construído com grande esforço entre séculos de agressão, intromissão e intervenção dos Estados Unidos e de poderes europeus cúmplices”, disse Moncada./ WASHINGTON POST

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