Cresce pressão para governo filipino distribuir ajuda humanitária

Desde a chegada do tufão Haiyan, presidente tem sido criticado por resposta à tragédia

O Estado de S. Paulo,

14 de novembro de 2013 | 10h04

MANILA -  Em meio ao aumento do fluxo de ajuda internacional às vítimas do tufão Haiyan, que atingiu as Filipinas no fim de semana, o presidente  Benigno Aquino está sob pressão para acelerar a distribuição de alimentos, água e remédios.

Desde a chegada do tufão, Aquino - herdeiro da mais célebre dinastia política filipina - está na defensiva pela forma como lidou com os preparativos e com a reação à tempestade.

Ele diz que o número de mortos poderia ter sido maior se as autoridades não tivessem desocupado áreas de risco e preparados suprimentos de emergência, mas sobreviventes nas áreas mais afetadas dizem que não foram avisados para a violenta ressaca marítima - comparável a um tsunami - que acompanhou o tufão.

As Filipinas solicitaram oficialmente ajuda aos EUA no sábado, um dia depois da passagem do tufão pela região central do arquipélago, segundo o Departamento de Estado dos EUA.

Aquino também motivou um debate sobre o número de vítimas citando uma cifra muito inferior à de 10 mil mortos estimada pelas autoridades locais. Na quinta-feira, haviam sido confirmadas oficialmente 2.357 mortes, número que segundo os agentes humanitários deve crescer.

Enquanto os esforços humanitários internacionais se aceleram, muitos proprietários de postos de gasolina que foram poupados pela tempestade se recusaram a abrir, o que resulta em pouco combustível para os caminhões que precisam levar mantimentos e equipes médicas pelas áreas devastadas na sexta-feira pelo tufão.

Drama. "Ainda há corpos na estrada", disse Alfred Romualdez, prefeito de Tacloban, cidade de 220 mil habitantes reduzida a escombros. "É assustador. Há uma solicitação da comunidade para irmos retirar os corpos. Dizem que são cinco a dez. Quando chegamos lá, são 40."

A escassez de caminhões obriga as autoridades a fazerem escolhas macabras. "A opção é usar o mesmo caminhão para distribuir comida ou para recolher corpos", disse o prefeito.

Na quinta-feira, cerca de 300 corpos começaram a ser sepultados em uma vala comum fora da cidade. Uma vala maior, com capacidade para mil cadáveres, será escavada, segundo o administrador municipal Tecson John Lim.

O governo está distribuindo 50 mil cestas básicas por dia, cada uma contendo 6 quilos de arroz e produtos enlatados, mas isso cobre apenas 3 por cento das 1,73 milhão de famílias afetadas pelo tufão.

 

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Ajuda. O porta-aviões norte-americano USS George Washington e quatro navios acompanhantes chegaram à costa da província de Samar, no leste, levando 5 mil e mais de 80 aeronaves, incluindo 21 helicópteros.

O Japão também planeja enviar até mil soldados, além de embarcações e aeronaves militares, no que pode ser a maior mobilização militares do país desde a Segunda Guerra Mundial.

As Forças Armadas do EUA determinaram também a ativação de um hospital-navio da Marinha para envio e possível chegada em dezembro às Filipinas. USNS Mercy se desloca lentamente e pode levar até três semanas para chegar às Filipinas, partindo de San Diego, com parada no Havaí para recolher material e pessoal adicionais, disse um porta-voz militar dos Estados Unidos.

O Mercy tem capacidade de atender centenas de pacientes e aumentaria a possibilidade de ajuda para tratar das vítimas do tufão Haiyan durante um período de recuperação que deve ser longo.

"Se for dada a ordem para o envio, o Mercy pode estar a caminho nos próximos dias e poderia chegar às Filipinas em algum momento em dezembro", disse em comunicado a Frota Pacífico da Marinha. / REUTERS

 

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