Cresce pressão pela renúncia do premiê israelense

A chanceler de Israel, Tzipi Livni,disse na quinta-feira que seu partido já se prepara para apossibilidade de eleições antecipadas, num sinal da fragilidadepolítica do primeiro-ministro Ehud Olmert, acuado por umescândalo de corrupção. O ministro da Defesa, Ehud Barak, já havia pedido oafastamento do premiê, que não se manifestou. Livni, que é a vice de Olmert e encarregada das negociaçõescom os palestinos, disse que o partido centrista Kadima deveria"tomar decisões" e começar a se preparar para "qualquercenário" --inclusive o de uma eleição geral antecipada ou umadisputa interna. A ministra, cotada para governar o país, não chegou a pedirexpressamente a saída de Olmert, mas afirmou que a políticaisraelense deve respeitar certos "valores e normas." Já Barak disse ao seu Partido Trabalhista (esquerda) que "oprimeiro-ministro tem de tomar decisões, as facções têm detomar decisões, e se não nós tomaremos as decisões por ele". Oministro da Defesa insinuava assim a possibilidade de retirar oPartido Trabalhista da coalizão de governo. O mandato de Olmert vai até 2010, e as pesquisas indicamque o líder direitista Benjamin Netanyahu, do partido Likud,derrotaria os trabalhistas numa eleição antecipada. Olmert mantém uma agenda normal, voltada principalmentepara o processo de paz, o combate ao radicalismo islâmico e acontraposição ao programa nuclear do Irã. Na quinta-feira elerecebeu o primeiro-ministro da Dinamarca, e na próxima semanadeve passar três dias em Washington. A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, admitiu que oescândalo ofuscou parcialmente a meta do governo Bush de obterum acordo entre palestinos e israelenses ainda durante o seumandato, que termina em janeiro. "Mas o presidente [George W. Bush] acredita que a políticaisraelense é algo com que os israelenses têm de lidar",acrescentou ela. Olmert é acusado de ter recebido doações ilegais de umempresário norte-americano para campanhas eleitorais. Ele dizque só vai renunciar se for indiciado pelo procurador-geralMenachem Mazuz, que na quinta-feira convocou promotores edelegados para discutir o caso. O procurador divulgou nota dizendo que a investigação seráconcluída "assim que possível," mas não citou datas. O empresário Morris Talansky, pivô do caso, deve voltar aIsrael em julho, quando será interrogado pelos advogados deOlmert. Depois do depoimento de Talansky na terça-feira, opromotor-chefe Moshe Lador disse que é cedo para falar noindiciamento de Olmert. (Reportagem adicional de Avida Landau, Ari Rabinovitch,Jeremy Pelofsky)

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