Cresce pressão pela retirada israelense de cidades palestinas

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na madrugada deste sábado, uma resolução que pede a retirada imediata das tropas israelenses das cidades palestinas, entre elas Ramallah, na Cisjordânia, e exorta os palestinos e israelenses a avançar "de imediato" para um cessar-fogo. Ao mesmo tempo, cerca de 100 pacifistas pertencentes à caravana Action for Peace, que chegou a Belém no sábado, passam a noite no campo de refugiados de Dheisheh - considerado um dos objetivos mais prováveis de uma represália israelense, já que deste lugar partiu a camicase de 18 anos que desfechou recentemente um atentado suicida em Jerusalém. Pressão nos países árabes Nos países árabes, ficou ainda mais intensa a pressão social por conta da humilhação imposta por Israel aos palestinos. Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de importantes cidades gritando "morte a Israel" e denunciando o cerco às cidades palestinas. Os manifestantes marcharam por cidades do Iraque, do Líbano, da Líbia e do Iêmen. Manifestações menores contra Israel também ocorreram em países como Egito, Jordânia, Bahrein, Síria e Kuwait. Proteção de pacifistas Um pequeno grupo de pacifistas ocidentais e oito veículos da organização humanitária Crescente Vermelho conseguiram entrar no QG de Arafat em Ramallah para levar água, comida, remédios e baterias para telefone celular, e atender os feridos. O grupo, formado pela francesa Claude Léostic, o líder antiglobalização francês José Bové, o deputado dos Partido Verde italiano Mauro Bulgarelli, um suíço e um americano, conversou por 20 minutos com o líder palestino. Mais cedo, com dois tanques israelenses estacionados em frente à escada que dá acesso ao seu gabinete, Yasser Arafat afirmou em entrevista por telefone à CNN que está "completamente sitiado" e que sete dos prédios que integram o complexo administrativo foram destruídos. Respaldo dos EUA O texto aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU teve um respaldo pouco comum dos Estados Unidos. Israel criticou a resolução, por não ressaltar a "responsabilidade palestina" na onda de ataques terroristas, que provocaram as incursões nos territórios palestinos. Mais tarde, o presidente americano George W. Bush reafirmou que Arafat poderia estar ?fazendo mais? pela paz, e defendeu os ataques israelenses. A chancelaria israelense indicou que Israel não tem nenhum interesse em permanecer em Ramallah ou em qualquer outra área controlada pela Autoridade Palestina (AP), mas não deu indícios do retrocesso de suas tropas. A AP, por sua vez, qualificou de ?positiva? a resolução e pediu que Israel se retire imediatamente de Ramallah, onde tanques israelenses invadiram na sexta-feira o QG da Autoridade Palestina e mantém Yasser Arafat confinado em seu escritório. Resolução do Conselho de Segurança A Resolução 1402 foi adotada por 14 votos a 0. A Síria, 15º membro do Conselho de Segurança, não votou, por considerar a resolução muito branda em relação a Israel. O texto, de menos de 20 linhas, "exige que as duas partes se comprometam imediatamente com um cessar-fogo construtivo" e "pede a retirada das tropas israelenses das cidades palestinas, entre elas Ramallah". Também exorta os dois lados no conflito a "cooperar plenamente" com o general Anthony Zinni, o enviado norte-americano que se encontra atualmente na região tentando obter a retomada das negociações para conseguir uma solução para a crise. O CS também reiterou sua exigência para "o fim imediato de todos os atos de terror, provocação e destruição". Tanques em Hebron Mas, além de Israel não dar sinais de que iria se retirar de Ramallah, tanques israelenses invadiram hoje a cidade de Hebron, também na Cisjordânia, fazendo disparos. Fontes militares de Israel disseram que os tanques foram apenas checar os disparos dados desde um bairro palestino em Hebron. Palestinos denunciaram que soldados israelenses "executaram a sangue-frio" cinco policiais palestinos em Ramallah. "Eles foram executados. Este é um claro exemplo da política de execuções adotada pelo governo israelense contra o povo palestino", disse Hassan Asfour, um negociador palestino. Um repórter da CNN que viu os corpos descreveu que alguns tinham buracos de bala na parte de trás da cabeça. Brasil condena No Brasil, o Itamaraty criticou os ataques de Israel ao complexo da Autoridade Palestina em Ramallah, e a ameaça à vida de seu líder, Yasser Arafat. Diante do acirramento do conflito entre forças israelenses e palestinas nos últimos dois dias, o governo enfatizou sua preocupação com a escalada de violência na região. "O governo brasileiro deplora vivamente os ataques realizados contra a infra-estrutura da Autoridade Nacional Palestina, que ameaçam a própria incolumidade física do seu presidente, Yasser Arafat, e sua capacidade de intervenção efetiva como interlocutor do processo de paz na região", diz a nota, divulgada pelo Itamaraty. Na primeira manifestação sobre os últimos conflitos no Oriente Médio, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que pode enviar tropas federais para Ramallah, se os países empenhados nas negociações de paz no Oriente Médio solicitarem. "A situação passou dos limites", afirmou.

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