Cresce pressão pela saída de premiê espanhol

Líder da oposição pede a Rajoy que renuncie, um dia após chefe de governo declarar que não foi beneficiado por 'mensalão'

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2013 | 02h04

A pressão para que o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, peça demissão do cargo cresceu na Espanha no final de semana, horas depois de o chefe de governo negar seu envolvimento em um esquema de corrupção do Partido Popular (PP). No sábado, o premiê prometeu abrir seu sigilo fiscal nesta semana, mas rejeitou responder a perguntas de jornalistas sobre o suposto "mensalão espanhol", que lhe teria beneficiado entre 1997 e 2008.

Rajoy é o nome de maior peso político na lista de líderes do PP acusados de envolvimento no que ficou conhecido nos últimos dias como "Caso Barcenas" - uma referência ao ex-tesoureiro do partido, Luis Barcenas. Os primeiros indícios sobre a existência do duto de corrupção foram publicados no dia 18 pelo jornal El Mundo, que revelou a existência de um "mensalão" pago por empreiteiras e empresas privadas a membros do PP.

Na quinta-feira, o jornal El País aprofundou as suspeitas apresentando os documentos da contabilidade do partido. Nele, aparecem nomes históricos do PP, como o do ex-primeiro-ministro José María Aznar, e do ex-ministro de Finanças e ex-diretor-gerente do FMI Rodrigo Rato, além de atuais ministros de Estado. O diário afirmou que Rajoy, atual chefe de governo, também foi beneficiado pelo esquema recebendo salários anuais de € 25,2 mil. Na época, Rajoy exercia cargos de administração no partido.

No sábado, Rajoy garantiu que abrirá seu sigilo fiscal, para que sua remuneração seja escrutinada. "O que me atribuem é falso. Nunca recebi nem dividi dinheiro de caixa 2. Não tenho nada a ocultar", assegurou. "O PP não tem nem teve contas no exterior e nunca deu ordens para abri-las. Não temos nada a ver com a conta de Bárcenas."

As explicações, porém, não convenceram a oposição. O líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Alfredo Pérez Rubalcaba, pediu a renúncia do chefe de governo. "Rajoy caiu em descrédito", alegou, lembrando depoimentos de correligionários do premiê que admitiram a existência do "mensalão".

Ontem, a sociedade civil também dava mostras de não ter engolido a versão do premiê. Novos protestos foram realizados nas ruas de Madri e Barcelona. Nas redes sociais, uma campanha - #RajoyNoContesta - foi criada para exigir explicações do chefe de governo. Uma pesquisa publicada ontem indicou que apenas 23,9% dos espanhóis votaria hoje no PP - uma queda de 29,8 pontos em relação ao mês passado.

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