Cresce pressão por união na oposição contra o kirchnerismo

Objetivo é lançar um candidato único contra o representante de Cristina Kirchner, provavelmente o governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

04 de junho de 2015 | 18h00

Prefeitos que desertaram da campanha de Sergio Massa pressionam o ex-kirchnerista, que já foi favorito para a eleição presidencial de outubro na Argentina, a abandonar a corrida e apoiar o conservador Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires. O objetivo é lançar um candidato único contra o representante de Cristina Kirchner, provavelmente o governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli.

A pressão aumentou nesta quinta-feira, 4, quando Macri e Massa fizeram campanha em Córdoba, a segunda cidade mais populosa do país, com 1,3 milhão de habitantes. Ambos negaram a aproximação, dada como certa por vários políticos locais e até por opositores – o chefe do gabinete de ministros kirchnerista, Aníbal Fernández, disse de manhã que a união estava sacramentada. Os partidos têm até o dia 10 de junho para formalizar alianças. 

Massa foi assertivo ao afirmar que não desistirá, mas aliados o pressionam ou dizem publicamente o que ele ainda não poderia admitir. O sinal mais claro veio de quem mais o conhece, a cientista política Malena Galmarini, sua mulher. “A oposição deve se juntar, conversar, chegar a acordos, ver como podemos ganhar uma eleição contra um governo que está se fortalecendo”, disse ontem Malena à rádio Vorterix.

Ela se referia à alta na popularidade de Cristina, que voltou aos 40% segundo o Instituto Poliarquía, depois de uma leve queda após a morte do promotor Alberto Nisman. Ontem, Scioli desafiou Macri para um debate entre presidenciáveis, algo inédito no país.

Por mais que o prefeito de Buenos Aires tenha feito alianças inusuais – com o peronista Carlos Reutemann, a deputada de centro-esquerda Elisa Carrió e a União Radical Cívica (UCR) – ele é mais resistente a Massa. Alega que um nome ligado ao kirchnerismo “contaminaria um projeto novo”. Ontem, disse a rádios de Córdoba que “não era ninguém para indicar a alguém um posto”. Referia-se à oferta levada, segundo o jornal La Nación, por emissários do macrismo: apoio a Massa para tentar o governo de Buenos Aires se desistir da presidência. 

“Quando Macri se uniu a Carrió e à UCR sofreu resistência e a superou, mas não havia choque como os que há hoje com a Frente Renovadora, onde Massa foi acusado de ligação com o narcotráfico”, disse ao 'Estado' Mariel Fornoni, da consultoria M&F. Este instituto dá a Scioli 33,3% das intenções dos votos, a Macri, 32,2%, e a Massa, 13,8%.

Os dois grupos se uniram contra o kirchnerismo em 2013, em eleições parlamentares. Então, quem dava as cartas era Massa, fundador da frente que na prática impediu os aliados de Cristina de levar adiante o projeto de uma nova reeleição. 

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