Cresce pressão sobre militares do Paquistão após caso Bin Laden

O líder da oposição do Paquistão acusou a poderosa agência de espionagem do país de negligência e incompetência, enquanto um ex-presidente paquistanês disse na quarta-feira que membros desonestos do órgão de segurança podem ter ajudado Osama bin Laden a se esconder durante anos perto de Islamabad.

KAMRAN HAIDER, REUTERS

11 de maio de 2011 | 15h39

Aumentando a pressão sobre os militares do país, que enfrentam a suspeita de que tenham abrigado o líder da Al Qaeda, a rival Índia nomeou cinco oficiais do Exército paquistanês em uma lista de 50 criminosos que quer extraditados para serem julgados por acusações de terrorismo.

Nawaz Sharif, que lidera o maior grupo de oposição do Paquistão, rejeitou uma decisão do governo de colocar um general do Exército como encarregado do inquérito sobre as falhas de inteligência em relação à morte de Bin Laden em um ataque de helicóptero por soldados dos Estados Unidos em 2 de maio.

Poupando o governo e seus líderes em um discurso sobre a violação surpresa da soberania do Paquistão por forças norte-americanas, Sharif disse que é o "pior caso de negligência e incompetência" por agências de segurança do país.

"É preocupante que as nossas instituições de segurança não soubessem de nada enquanto helicópteros e comandos permaneceram em nosso território e espaço aéreo por tanto tempo", disse ele em entrevista à imprensa, pedindo que uma comissão judicial conduza uma investigação para dissipar dúvidas.

Sharif também indagou como o homem mais procurado do mundo poderia estar escondido em um complexo a menos de um quilômetro da principal academia militar do país, e lamentou o dano que o incidente causou à reputação do Paquistão no exterior.

"Não é verdade que o mundo nos considera como um país que auxilia e exporta o terrorismo?", disse ele. "Não é verdade que todos os crimes em todo o mundo têm ligações com nosso país?"

OFICIAIS DESLEAIS PODERIAM SABER

O ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf, um general do Exército que tomou o poder em 1999 e agora vive no exílio em Londres, disse à rede de TV ABC News que havia uma possibilidade de que oficiais subalternos desleais servindo na área de inteligência do país possam ter tido conhecimento do paradeiro de Bin Laden há anos.

"É realmente espantoso que ele estivesse lá e ninguém soubesse", afirmou. "Mas o elemento rebelde infiltrado é uma possibilidade. Existe a possibilidade de haver, em níveis inferiores, pessoas seguindo uma política própria e violando a política dos superiores."

O órgão de inteligência do Paquistão tem um longo histórico de contatos com militantes islâmicos.

O Paquistão rejeita acusações de que tenha sido incompetente em localizar o homem por trás dos ataques 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos ou tenha sido cúmplice em escondê-lo na cidade de Abbottabad, a apenas 50 quilômetros de Islamabad.

"Não seríamos ingênuos a ponto de ser cúmplices, neste caso. Estaríamos colocando em risco não apenas o futuro do nosso país, mas também o futuro de nossos filhos", disse um alto oficial de segurança, acrescentando que se houvesse uma rede de apoio protegendo Bin Laden, não teria vindo de dentro do órgão de segurança.

A invasão secreta dos Estados Unidos sobre o complexo de Bin Laden no Paquistão tem envergonhado e enfurecido os militares e aumentou as tensões entre Washington e Islamabad, que já estavam elevadas.

A cooperação paquistanesa é crucial para os esforços de Washington no combate a militantes islâmicos e para trazer estabilidade ao Afeganistão.

Os Estados Unidos esperam poder entrevistar as três viúvas de Bin Laden, que foram deixadas no complexo de Abbottabad depois da invasão dos EUA, mas as autoridades paquistanesas minimizaram qualquer possibilidade de acesso rápido.

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