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REUTERS/Stephane Mahe
REUTERS/Stephane Mahe

Cresce radicalização entre os jovens muçulmanos na França

Pesquisa indica que 28% dos entrevistados defendem poligamia dos homens e o véu islâmico para mulheres

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS

20 de setembro de 2016 | 05h00

O extremismo é crescente entre as comunidades muçulmanas da França. Pesquisa encomendada pelo think tank Institut Montaigne ao centro de pesquisas IFOP que mostra 28% dos adeptos da religião revelam uma adesão que os autores do estudo chamam de fundamentalista. E entre jovens entre 15 e 25 anos, 50% se enquadra nesses quesitos.

Esse último grupo defende o primado da lei religiosa sobre a Constituição e são críticos do Estado secular - a neutralidade das instituições públicas em relação à religião.

Segundo o levantamento, os muçulmanos representam 5,6% da população do país - um porcentual real muito abaixo do imaginado pelos franceses, que chegam a estimar em 30% o total. O estudo indica ainda que 1% da população francesa tem pelo menos um dos pais muçulmanos, mas não se considera seguidor da religião. Esse porcentual indica aqueles em “abandono de religião”. Por outro lado, 7% dos praticantes afirmaram ter se convertido.

Em qualquer situação, os traços culturais seguem fortes: 70% afirma consumir apenas carne halal, produzida de acordo com os ritos da religião, e 65% dos entrevistados são a favor do uso de véus islâmicos pelas mulheres.

Os pesquisadores concluíram que as comunidades muçulmanas se dividem em seis grupos de valores, que vão desde a menor relação possível com a religião até os mais engajados. Os seis grupos foram então reunidos em três pelos pesquisadores, que concluíram: 46% dos muçulmanos são totalmente secularizados, ou estão acabando seu processo de integração ao sistema de valores da França contemporânea.

 

Um segundo contingente, de 25%, teria aderido ao secularismo, mas ainda é favorável à afirmação da expressão religiosa em público O último grupo é o dos "ultras", um contingente de 28% que defendem a poligamia para os homens, o uso de niqab pelas mulheres e tem duras críticas à secularidade do Estado. São em especial jovens de até 25 anos, desempregados ou em ruptura escolar.

Para Hakim El-Karoui, ex-conselheiro do primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin e um dos autores do estudo, a pesquisa mostra dois campos opostos. “Uma maioria está em trajetória de inserção sem choques com o sistema de valores republicamos”, explica o especialista. 

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