Cresce rejeição dos republicanos a Rice para substituir Hillary

Embaixadora na ONU foi ao Congresso amenizar resistência, mas grupo liderado por McCain se diz "mais preocupado"

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h07

A embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, falhou ontem em tentar amenizar a resistência a seu nome para substituir Hillary Clinton como secretária de Estado. Favorita do presidente Barack Obama para liderar a diplomacia em seu segundo mandato, Rice encontrou-se ontem com John McCain e outros dois senadores republicanos. Ao final da reunião, os parlamentares declararam-se "ainda mais perturbados" com a possível nomeação e decididos a bloqueá-la.

Rice, como os demais escolhidos por Obama para o primeiro escalão de seu governo, será submetida a uma sabatina no Senado e a uma votação sobre sua indicação. McCain e seus colegas Lindsay Graham e Kelly Ayotte encabeçam um grupo crítico à embaixadora.

Os parlamentares mencionam especialmente o fato de Rice ter defendido em programas de televisão, em 16 de setembro, a versão oficial sobre o ataque ao consulado americano em Benghazi, na Líbia, cinco dias antes. O episódio resultou na morte do embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, e de outros três funcionários do Departamento de Estado.

O governo afirmou que manifestantes enfurecidos com um filme ofensivo ao Islã, produzido nos EUA, tinham cometido o ataque. Posteriormente, Washington reconheceu ter sido um ataque terrorista planejado para o aniversário do 11 de Setembro.

Para os senadores republicanos, a embaixadora tinha acesso a informações confidenciais sobre a real motivação do ataque, mas propagou uma "versão falsa" e provocou um "estrago irreparável em sua credibilidade".

Ontem, depois da conversa sigilosa no Senado, acompanhada pelo diretor interino da CIA, Michael Morell, o tom da oposição piorou. "O ponto de partida é que estou mais perturbado (agora) do que antes com a explicação", afirmou Graham. "Nós ficamos profundamente perturbados com muitas das respostas que tivemos", reforçou McCain, candidato republicano derrotado por Obama em 2008.

Graham comparou a possível insistência de Obama em indicar Rice para o atual posto de Hillary à nomeação, por George W. Bush, em 2005, de John Bolton como embaixador dos EUA nas Nações Unidas. Os senadores democratas se opuseram, mas Bolton acabou confirmado pelo plenário. A maioria democrata no Senado, agora, favorece a aprovação de Rice. Mas a escolha afetará o diálogo já difícil entre democratas e republicanos na Casa.

No dia 26, McCain afirmou que o presidente tem o direito de nomear quem quiser. "Mas é também nosso trabalho no Senado dos EUA, de acordo com a Constituição, aconselhar e consentir. Esse é nosso papel, e eu vou conduzi-lo com muita seriedade", alertou.

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