Cresce suspeita da AIEA sobre armas nucleares no Irã

A Agência Nuclear de Energia Atômica (AIEA) avalia que o Irã esteja desenvolvendo uma carga nuclear que pode ser empregada em mísseis. A informação veio à tona nesta quinta-feira, após mais um relatório do braço da ONU para assuntos nucleares vazar à imprensa. Se confirmada, a acusação prova que o programa nuclear iraniano tem fins militares, diferentemente do que vem afirmando Teerã.

AE-AP, Agencia Estado

18 de fevereiro de 2010 | 20h41

O relatório seria mais pessimista até mesmo que previsões dos serviços de inteligência dos EUA, os quais estimaram em 2007 que o Irã havia suspendido seu programa nuclear para fins militares ainda em 2003. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, P.J. Crowley, afirmou que o documento da AIEA reforça "atuais temores".

A agência da ONU garante, no documento, ter reunido "vastas e confiáveis informações" sobre o suposto programa nuclear militar iraniano. "Elas causam preocupação sobre a existência, no passado e no presente, de atividades nucleares sigilosas com objetivo de desenvolver uma carga nuclear para mísseis", conclui o estudo.

A mudança de tom da AIEA sugere que seu novo diretor-geral, o diplomata japonês Yukiya Amano, estaria disposto a adotar uma posição mais firme com o Irã do que seu antecessor, o egípcio Mohammad ElBaradei. Há cinco anos o organismo investiga acusações de que o programa iraniano tem fins militares. O último documento será levado à reunião dos 35 integrantes do conselho da AIEA - entre eles, o Brasil - que será realizada do dia 1 ao 5.

Contra a vontade de quatro das cinco potências do Conselho de Segurança da ONU e as recomendações da AIEA, o Irã começou a enriquecer urânio a 20% em suas instalações na semana passada. A decisão desencadeou forte reação: Washington reforçou sua campanha por mais sanções do CS ao Irã e adotou restrições unilaterais, enquanto a Rússia assinou uma carta convocando a AIEA a reforçar inspeções e suspendeu a entrega de mísseis a Teerã.

No relatório divulgado hoje, a agência da ONU confirma que o enriquecimento a 20% já foi iniciado e diz que o processo começou antes de os inspetores internacionais terem acesso aos reatores de Natanz. "O período de aviso dado pelo Irã em relação às mudanças (calibração de centrífugas) foi insuficiente para que a agência adotar procedimentos de segurança", denuncia o estudo.

O documento da AIEA ainda atesta que o Irã aumentou seu estoque de urânio de 300 quilos para cerca de 2,06 toneladas desde novembro. A nova quantia pode produzir até duas bombas atômicas caso o material seja enriquecido a 90%.

O número de centrífugas em operação na instalação de Natanz, porém, caiu de 4 mil para 3.772 - uma redução de 25%. Analistas explicam o recuo dizendo que cientistas iranianos têm enfrentado sérios problemas técnicos. As centrífugas iranianas seguem modelos usados nos anos 70.

Segundo o Irã, o relatório é uma "farsa" produzida por seus inimigos. O regime persa, entretanto, não deu esclareceu as acusações apresentadas.

Hoje, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que, caso Israel ataque seu país, o grupo libanês Hezbollah responderá e "acabará com o assunto de uma vez por todas". Ahmadinejad falou pelo telefone com o líder do grupo xiita, Hassan Nasrallah. Ele pediu que o Hezbollah mantenha seus homens prontos para atacar Israel.

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