Cresce suspeita de que EI tenha explodido avião

Autoridades americanas e britânicas dizem que bomba pode ter provocado acidente no Egito

O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2015 | 02h03

CAIRO - Cresceram ontem as suspeitas de que uma bomba plantada por extremistas ligados ao Estado Islâmico (EI) tenha derrubado o Airbus A-321 da companhia russa Metrojet que caiu no sábado enquanto sobrevoava a Península do Sinai, no Egito. Segundo a rede de TV americana CNN, dados de inteligência do governo dos EUA indicam que a hipótese de um atentado era a mais provável.

O governo britânico decidiu adiar os voos procedentes da cidade de Sharm el-Sheikh rumo ao país devido à suspeita de que o avião russo foi derrubado por uma bomba. O voo da empresa russa partiu do balneário egípcio e tinha como destino a cidade de São Petersburgo.

Horas após a queda, o grupo Província do Sinai, afiliado ao EI, disse ter derrubado o avião e prometeu mostrar provas.

Autoridades egípcias, por sua vez, que hesitavam falar em ataque terrorista, disseram ontem que a queda parece ter sido causada por uma explosão. Não estaria claro, no entanto, se ela foi provocada por problemas no tanque de combustível, no motor ou por uma bomba.

"Definitivamente há a suspeita de que um explosivo foi colocado no bagageiro ou em algum outro lugar do avião", disse uma fonte do governo americano à CNN. Segundo a fonte ouvida pela rede de TV, o governo americano notou um aumento da atividade terrorista no Sinai nos dias que antecederam a queda do Airbus. Na terça-feira, autoridades americanas já haviam afirmado que radares detectaram uma "onda de calor" no espaço aéreo onde se encontrava o avião antes da queda.

Na Grã-Bretanha, as autoridades também passaram a trabalhar com a possibilidade de um atentado. "Enquanto a investigação está em andamento, não podemos dizer categoricamente por que a aeronave russa caiu, mas à medida em que foram reveladas mais informações, passamos a nos sentir mais preocupados com a possibilidade de que o avião foi derrubado por uma bomba", afirmou um porta-voz do primeiro-ministro David Cameron.

A suspensão dos voos provenientes ou destinados a Sharm el-Sheikh também foi anunciada pelo governo da Irlanda.

Dúvidas. Uma equipe britânica de especialistas em aviação estava ontem a caminho da cidade egípcia para avaliar as condições de segurança no aeroporto e identificar qualquer ação que seja necessária.

As autoridades egípcias ainda hesitam em determinar um atentado como a fonte da explosão que possivelmente derrubou o avião. "Acredita-se que foi uma explosão, mas o tipo não está claro. Está sendo feita uma análise da areia no local do acidente para tentar determinar se foi um explosivo", afirmou uma fonte do governo egípcio à Reuters.

"Há investigações forenses em andamento no local do acidente. Isso vai ajudar a determinar a causa, para ver se os vestígios de explosivos são encontrados."

Oficialmente, o Egito rejeitou as alegações do Estado Islâmico de que o grupo rebelde derrubou o avião com 224 passageiros e tripulantes a bordo.

O Ministério da Aviação do país afirmou anteriormente que o gravador de voz da cabine do avião estava parcialmente danificado, mas que os dados da outra caixa-preta foram extraídos, validados e estavam sendo analisados.

Mais cedo, a filial do EI no Sinai tinha voltado a reivindicar a autoria do ataquem uma gravação de áudio, cuja autenticidade não pôde ser verificada. "Os soldados do califado anunciaram sua responsabilidade no acidente do avião e quem não quiser acreditar que morra de raiva", diz o áudio. "Não somos obrigados a dizer como fizemos isso. Procurem nas caixas-pretas."  / COM EFE E REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
Estado IslâmicoEgito

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.