Cresce tensão entre Washington e Caracas

A tensão nas relações diplomáticas entre EUA e Venezuela aumentou com o anúncio da expulsão, na quinta-feira, em Caracas, do adido naval americano, o capitão de fragata John Correa, acusado de espionagem, e com as duras críticas contra o presidente venezuelano Hugo Chávez feitas por altos funcionários da Casa Branca.Depois de Chávez ter anunciado a expulsão do militar e ter acusado Correa de espionagem, o Departamento de Estado dos EUA negou o envolvimento do adido naval em atividades ilegais na Venezuela.Correa "mantinha contatos de trabalho" com colegas venezuelanos, como exige sua atividade, mas sempre dentro da legalidade, afirmou uma porta-voz do Departamento de Estado americano.Em mensagem à nação, por ocasião do sétimo aniversário de seu governo, Chávez anunciou a expulsão de Correa, por espionagem, e advertiu que retirará a missão militar americana do território venezuelano, caso mantenham a suposta atividade.Logo depois, em atos oficiais em Washington, o diretor nacional de Inteligência dos EUA, John Negroponte, e o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, fizeram duras críticas ao presidente venezuelano.No Comitê de Inteligência do Senado, Negroponte acusou Chávez de interferir nos assuntos internos de países vizinhos, por meio de apoio a determinados candidatos nos processos eleitorais, e também de reforçar laços com o Irã e a Coréia do Norte.Negroponte assegurou que a "América Latina segue apresentando uma série de desafios, incluindo uma tendência para governos socialistas antiamericanos, principalmente na Venezuela".Se Chávez vencer as eleições previstas para o final deste ano, afirmou o alto funcionário, "parece disposto a usar o controle da legislatura e de outras instituições para seguir impondo dificuldades à oposição".O governo dos EUA, assegurou, também esperar que Chávez aprofunde sua relação com o presidente cubano, Fidel Castro. O presidente venezuelano "está buscando laços diplomáticos, econômicos e militares com o Irã e a Coréia do Norte", dois dos países considerados ameaças externas, completou Negroponte. Em termos similares o chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld, expressou sua preocupação com algumas "lideranças populistas" na América Latina, como a de Chávez na Venezuela, e por eleições como a de Evo Morales na Bolívia.Chávez é uma pessoa que foi eleita legalmente, "assim como Adolfo Hitler", disse Rumsfeld em almoço no Clube Nacional de Imprensa de Washington. Agora, acrescentou, o presidente venezuelano trabalha com Castro, com o novo presidente boliviano, Evo Morales, e com outros, "e isso me preocupa".Em resposta a uma pergunta sobre uma possível tendência para governos de esquerda na América Latina, o que pode provocar o crescimento do antiamericanismo, Rumsfeld disse que a maioria dos países, com exceção de Cuba, "avançam rumo à democracia". No entanto, avaliou que há corrupção em muitos deles, "algo que é algo corrosivo para a democracia".

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