Cresce tensão no Tibete e China fecha capital por segurança

Exército e a Polícia chinesa estão mobilizados em todo o território da região; monges protestam na Índia

BENJAMIM KANG LIM E CHRIS BUCKLEY, REUTERS

16 de março de 2008 | 10h20

Conflitos estouraram em uma província nas proximidades do Tibete neste domingo,16,  dois dias após protestos de rua de tibetanos contra a dominação chinesa em Lhasa, que o governo em exílio da região alega ter matado 80 pessoas. Um policial, dando declarações quando o principal prédio do governo no condado de Aba, na província de Sichuan, foi cercado, disse à Reuters que cerca de 200 manifestantes tibetanos haviam atirado bombas e queimado uma delegacia. Segundo relatos, algumas pessoas morreram nos confrontos, porém a informação não foi confirmada pelas autoridades.     Em 1950, o Tibete foi ocupado militarmente pela China. O governo de Pequim afirma que esse território faz parte de seu país há séculos devido a uniões dinásticas. Veja Também:  Dalai Lama denuncia 'genocídio cultural'    Governo tibetano estima que 80 pessoas morreram em Lhasa Hu Jintao é reeleito na China e Xi Jinping é seu vice O Centro Tibetano para Direitos Humanos e Democracia disse por meio de um e-mail que centenas de monges do monastério Amdo Ngaba Kirti em Sichuan haviam hasteado a proibida bandeira tibetana e gritado slogans pró-independência após suas preces no domingo de manhã. As forças de segurança chinesas invadiram o monastério, com bombas de gás lacrimogêneo, e impediram os monges de saírem às ruas, informaram os oficiais. As informações não foram confirmadas por fontes independentes. Um pouco mais cedo, tropas fecharam Lhasa -- uma cidade remota no alto do Himalaia proibida para jornalistas estrangeiros sem permissão e agora também para turistas -- para impedir uma repetição dos protestos da semana passada, os mais sérios em quase duas décadas. O Dalai Lama disse que deveria ser investigado se um genocídio cultural, intencional ou não, está ocorrendo no Tibet. Ele afirmou que a China está usando força para impor a paz.   Haia   Uma manifestação em Haia contra a presença chinesa no Tibete, com a presença de 500 pessoas, acabou neste domingo em um ataque de cerca de cem participantes contra a embaixada chinesa na Holanda.   Pelo menos dois manifestantes conseguiram entrar no edifício, onde foram detidos pela Polícia e depois levados para a delegacia, disse um dos organizadores do protesto à imprensa.   A Campanha Internacional pelo Tibete convocou h uma manifestação na capital holandesa para se unir aos protestos no mundo todo pelas vítimas em Lhasa durante o aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o mandato chinês em 1959, que causou a ida ao exílio do Dalai Lama.     Protestos   A agressividade dos protestos tibetanos contra a presença chinesa na região veio depois de dias de manifestações pacíficas por monges e é considerada um golpe aos preparativos de Pequim para os Jogos Olímpicos de agosto, enquanto a China tenta mostrar uma imagem de unidade e prosperidade.   O governo está preocupado com o efeito da inflação e da desigualdade social na estabilidade nacional após anos de rápido crescimento econômico e afirmou que, neste mês, descobriu dois atentados terroristas que estavam sendo organizados, um deles para as Olimpíadas. A agência de notícias oficial Xinhua disse no domingo que muitas lojas haviam sido reabertas e que carros estavam de volta às ruas, enquanto a tranquilidada retornava à cidade. "Nós não arriscamos sair, por nada. Há muita confusão", disse uma empresária do centro da cidade. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, expressou sua preocupação em um comunicado no sábado dizendo que a violência parecia continuar e pediu a Pequim para "libertar monges e outros que foram detidos somente por expressar pacificamente suas opiniões". A Anistia Internacional disse que a China deveria permitir uma investigação independente da Organização das Nações Unidas sobre os eventos da semana passada. A Índia pediu o diálogo. Abrigo do Dalai Lama, de 72 anos, exilado no Himalaia desde 1959 após uma revolta fracassada naquele ano, a Índia é cuidadosa em seu relacionamento com seu vizinho, tentando ampliar os laços diplomáticos e comerciais após décadas de rivalidade, incluindo uma guerra em 1962. (Matéria ampliada às 15h40)

Tudo o que sabemos sobre:
TIBETREVOLTALHASA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.