Crescem mortes de militares aliados por soldados afegãos

Cenário: Matthew Rosenberg / NYT

O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h02

O número de soldados americanos e de outras forças da coalizão mortos por soldados afegãos os quais eles treinam e ao lado dos quais combatem tem aumentado. Autoridades americanas e afegãs culpam a profunda animosidade entre as forças supostamente aliadas pelos ataques, indica um relatório sigiloso da coalizão obtido pelo New York Times.

Segundo o relatório, essas mortes se tornaram o sintoma mais visível de um problema bem mais profundo que solapa o esforço de guerra: o desprezo que cada lado sente pelo outro, que nada tem a ver com o Taleban. A má vontade e a desconfiança correm soltas entre civis e militares de ambos os lados.

A incapacidade dos comandantes da coalizão de enfrentá-las põe em evidência os empecilhos aos esforços americanos para montar um Exército afegão funcional, pilar da estratégia do presidente Obama para tirar os Estados Unidos do Afeganistão.

Os problemas ameaçam deixar os Estados Unidos e seus aliados dependentes de uma força afegã impregnada de sentimentos antiocidentais e incapaz de combater o Taleban e outros militantes quando a missão de combate da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) terminar, em 2014.

"Os confrontos letais não são raros nem isolados; eles refletem uma ameaça homicida sistêmica em rápido crescimento ", diz o relatório. Os pronunciamentos oficiais da Otan em contrário "parecem pouco engenhosos, se não profundamente desonestos intelectualmente", prossegue o relatório, que também reduz a importância atribuída a infiltrações do Taleban nas mortes.

O estudo revela que, entre maio de 2007 e maio de 2011, pelo menos 58 membros de serviços ocidentais foram mortos em 26 ataques de soldados e policiais afegãos em âmbito nacional. A maioria desses ataques ocorreu de outubro de 2009 para cá. Esse número significa 6% de todas as mortes da coalizão por forças hostis durante esse período, segundo o relatório.

No relatório, soldados afegãos e americanos trocam críticas sobre o comportamento em combate. Os ocidentais são chamados de arrogantes. Os militares locais são caracterizados como drogados e medrosos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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