Crescem protestos contra privatizações no Peru

Os protestos contra a privatização de duas empresas de eletricidade cresceram nesta terça-feira no sudeste do Peru, e o governo nomeou uma comissão para dialogar com autoridades dessa região a fim de controlar os distúrbios. A comitiva governamental chegou, nesta terça-feira, ao aeroporto de Arequipa, e o ônibus no qual prosseguia viagem foi apedrejado por manifestantes, nas ninguém ficou ferido.Na mesma cidade, capital do município de mesmo nome, uma pessoa morreu durante os tumultos que começaram há cinco dias, e em toda a região 142 ficaram feridas e 50 estão detidas, segundo as autoridades. Os distúrbios começaram na sexta-feira, logo após a privatização de duas companhias elétricas - a Egasa, no departamento de Arequipa, e a Egesur, no de Tacna, na fronteira com o Chile -, apesar de uma ordem judicial suspendendo ambas as privatizações.Uma mesma companhia, a belga Tractebel, venceu os dois leilões. Os habitantes de Arequipa e de Tacna temem que, a exemplo do que aconteceu em privatizações anteriores, com a venda das estatais Egasa e Egesur haja demissão de trabalhadores e encarecimento dos serviços de eletricidade.Nesta terça-feira, as atividades comerciais, industriais e agrícolas continuavam paralisadas em Arequipa - segunda cidade do país -, assim como o transporte público, e ruas e avenidas foram bloqueadas por pedras e vidros. A Frente Regional de Moquegua, município localizado entre Arequipa e Tacna, convocou para esta quarta-feira uma greve geral de 24 horas em apoio aos habitantes de Arequipa e Tacna, que exigem a anulação dos leilões da Egasa e da Egesur.Para evitar que os telefones de rua da empresa Telefónica espanhola sejam destruídos em Moquegua, como ocorreu anteriormente em Arequipa e Tacna, a companhia os retirou nesta terça até que a situação se normalize. Em Ayacucho, oito membros da Frente de Defesa dos Interesses desse município se declararam em greve de fome no átrio da catedral, em apoio aos protestos nos dois municípios vizinhos.Em solidariedade aos habitantes desses dois municípios, milhares de estudantes universitários e trabalhadores de Cuzco desfilaram nesta terça-feira pelas ruas dessa cidade, depois de terem bloqueado com pedras, pneus incendiados e troncos a estrada entre Cuzco e Puno, departamento que faz fronteira com a Bolívia.Em Tacna, a polícia dissolveu com gases lacrimogêneos uma marcha de moradores que se dirigiam ao aeroporto, aparentemente para tomá-lo. O ministro do Interior disse que, durante esse incidente, 5 pessoas foram detidas.A comissão mediadora - encabeçada pelo arcebispo emérito de Arequipa, monsenhor Fernando Vargas Ruíz de Somocurcio, e integrada por outras pessoas, entre as quais quatro ministros - foi apedrejada quando se dirigia em um ônibus do aeroporto de Arequipa até um colégio para reunir-se com o prefeito da cidade, Juan Manuel Guillén.Segundo as autoridades, ninguém ficou ferido. Monsenhor Vargas disse que o presidente peruano, Alejandro Toledo, lhe pediu que fosse a Arequipa, onde ocorreram os maiores protestos, para conversar com Guillén. Guillén e outros 30 prefeitos de cidades próximas estão em greve de fome em protesto contra o leilão das duas empresas, realizado na sexta-feira em Lima.

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