Crescimento econômico, o melhor do governo Kirchner na Argentina

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, irá nesta quinta-feira à histórica Praça de Maio para comemorar os três anos de seu governo e os 196 anos do primeiro governo argentino. O feriado é nacional e os fiéis seguidores de Kirchner utilizam a data para lançar a campanha de reeleição que será realizada no próximo ano. Os transportes públicos da capital federal funcionarão gratuitamente para que a praça tenha um grande público. Do interior, viajarão caravanas custeadas pela Casa Rosada e pelos governadores aliados.O país está coberto pelas cores nacionais: celeste e branco. Bandeiras, cartazes e outdoors convocam a população para a praça que tem sido o palco de todas as grandes manifestações populares do país. Tudo está preparado para que Kirchner lance sua candidatura mas essa será a grande incógnita do discurso presidencial. Até o momento, nenhum assessor fala abertamente de reeleição. O presidente tampouco admite sua intenção mas a imprensa argentina e entre os formadores de opinião do país, a candidatura de Kirchner já é pedra cantada.Se cogita que no discurso de Kirchner, marcado para o encerramento do "grande ato de 25 de maio", como tem sido chamado pelo governo, previsto para às 17h00 (horário local), haverá um apelo à unidade nacional. A proposta foi lançada pelo próprio presidente, nessa semana, em entrevista ao Clarín e ao Página 12, e é interpretada como um conceito para substituir a palavra "reeleição". A idéia de Kirchner é "trabalhar na construção de um novo espaço político, plural, que supere os partidos tradicionais e que inclua dirigentes de distintas vertentes".Análise políticaComo acontece em qualquer processo político, o balanço desses três anos de governo Kirchner implica em pontos positivos e algumas contas pendentes, segundo avaliação de analistas políticos e econômicos. Para o cientista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nueva Mayoria, "o crescimento econômico é a conquista mais relevante" de Kirchner, seguida pela "reconstituição da autoridade presidencial, que tinha ficado em crise com a queda de Fernando De la Rúa (em 2001), a breve presidência de Adolfo Rodríguez Saá, quem sucedeu De la Rúa e ficou no cargo somente uma semana, e a entrega antecipada do poder por parte de Eduardo Duhalde".Entre as dívidas pendentes de Kirchner, Fraga opina que "a primeira está no campo institucional, onde a administração Kirchner não tem dado prioridade à um verdadeiro fortalecimento da divisão de poderes". Ele aponta também a falta de tolerância que o presidente Kirchner tem em relação às críticas feitas pela imprensa e pelos diversos setores do país. Outra falha do atual governo diz respeito à divisão dos benefícios do crescimento econômico do país."A recuperação dos indicadores sociais está abaixo do crescimento econômico. Mas o mais crítico é que em 2004 e 2005, três de cada quatro crianças que vão à escola pública não chegaram ao mínimo de 180 dias de aula estabelecido por lei para uma carga horária de quatro horas", ressalta Fraga. Por último, o analista afirma que em matéria de política externa, o governo de Kirchner tem deixado a desejar. Vide a guerra das papeleiras com o Uruguai, que detonaram mal estar com a Espanha e com a Finlândia, e o conflito com o Paraguai por conta da usina Yacyretá.

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