Crescimento global deve ser abaixo de zero, diz diretor do FMI

Na África, Dominique Strauss-Khan afirmou que o comércio mundial está caindo a taxas alarmantes.

BBC Brasil, BBC

10 de março de 2009 | 09h57

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que o crescimento econômico global pode cair para menos de zero em 2009 pela primeira vez nas últimas décadas.A previsão de Strauss-Khan é mais pessimista do que a atual previsão oficial do FMI, de 0,5% de crescimento."O FMI espera que o crescimento global desacelere para abaixo de zero este ano, o pior desempenho na maior parte de nossas vidas", disse.O diretor do FMI acrescentou que a queda mundial nos índices de confiança do consumidor significa que o comércio global está caindo a uma taxa alarmante.O Banco Mundial também afirmou, na segunda-feira, que espera que a economia mundial encolha em 2009. Em um discurso na abertura de uma conferência de dois dias do FMI em Dar es Salaam, na Tanzânia, o diretor do FMI afirmou que, apesar de a crise ter sido lenta para atingir os países da África, seu impacto no continente será forte."O que temos certeza é de que a crise atingiu a África com força. Não era o caso no início da crise principalmente pelo fato de o setor financeiro da África ter pouca ligação com o setor financeiro das mais avançadas economias do mundo", afirmou."Desde o começo afirmamos que haveria algum atraso, mas, no final das contas, a desaceleração em economias avançadas terá consequências na África, em países de baixa renda em geral", acrescentou.O FMI prevê que o crescimento na África subsaariana desacelere para cerca de 3% em 2009, metade da taxa de crescimento prevista anteriormente. Strauss-Khan afirmou que a crise poderá reverter todas as melhoras recentes no desempenho econômico da África."O problema hoje é que com esta desaceleração no nível global com consequências para a África, existe um risco real de que todos os benefícios que foram conseguidos com muito esforço na última década possam se perder", afirmou.A conferência de dois dias na Tanzânia vai discutir que tipo de apoio externo o FMI e outros doadores entre os países ocidentais poderão fornecer para diminuir o impacto da crise na África, que tem o mais alto índice de pobreza do mundo. O diretor do FMI afirmou que políticas normais de recuperação fiscal não são o bastante para ajudar a África em meio à crise mundial."Em muitos países você pode relaxar a política monetária para ajudar a diminuir o efeito da crise, em outros casos você tem que reorganizar os gastos públicos para combater as consequências da crise, mas é óbvio que não será o bastante e, mais do que nunca, a África precisa de ajuda estrangeira."Strauss-Khan reconhece que atualmente, devido ao fato de países doadores estarem sob pressão econômica, é ainda mais difícil obter esta ajuda. Mas, ele calcula que, em 2009, "22 países precisem juntos de US$ 25 bilhões apenas para equilibrarem suas contas atuais. Claro que o FMI vai fornecer parte disso, mas não temos todos os recursos necessários".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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