Criação do Kadima gera incerteza em pesquisadores israelenses

Durante a campanha eleitoral israelense, as pesquisas mostraram o partido Kadima, fundado pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, muito à frente de seus adversários. Então por que, há poucos dias do pleito, os peritos em opinião publica estão tão nervosos? Para começar, os pesquisadores usaram padrões de voto em eleições anteriores para ajudá-los em suas previsões, particularmente sobre o que os eleitores indecisos farão. Contudo, o Kadima foi criado apenas quatro meses atrás, e sua dominância gerou dúvidas em algumas das suposições cruciais dos pesquisadores. "Esta é uma profissão de suposições" disse a perita em pesquisas de opinião pública, Mina Zemach. O Kadima, partido baseado na popularidade de Sharon, imediatamente liderou as pesquisas com previsão de obter 40 dos 120 assentos do Parlamento. O Partido Trabalhista ficaria em segundo lugar com cerca de 20 cadeiras, e o Likud, partido que Sharon deixou para formar o Kadima, em terceiro com 15, 25 a menos que na eleição passada. Sharon sofreu um derrame em 4 de janeiro e o Hamas ganhou as eleições parlamentares palestinas. Ainda assim, nenhum dos dois eventos causaram uma grande mudança nas pesquisas. Os pesquisadores estão se perguntando o que está acontecendo. "Tudo isto me dá a impressão de areia movediça", disse o pesquisador, Rafi Smith. A maior variável é o próprio Kadima. Ele saltou de lugar nenhum para a liderança. Tentativas anteriores de formar um partido conservador em Israel resultaram em fracasso. Agora os órgãos que realizam pesquisas de opinião têm de ajustar suas suposições. Com previsões de uma reviravolta de menos de 60% e pesquisas mostrando índices de mais de 20% de indecisos, o truque é descobrir quem irá votar realmente e quem os indecisos irão escolher. Pesquisadores dizem que a chave para prever o que os indecisos farão é analisar o que eles fizeram da última vez. Mas, com o surgimento do Kadima, essa técnica não funciona mais. O Likud e o Trabalhista são tradicionalmente os maiores partidos de Israel, mas subitamente eles se apresentam como os perdedores. "Essa é a assunção mais difícil que já tivemos de fazer. Não temos mais o luxo de colocar os eleitores em seus antigos partidos", disse Zemach, que conduz pesquisas pré-eleições desde 1973, e é considerada a melhor pesquisadora de Israel. Pleito pode trazer surpresa Tudo isso deixa Smith nervoso. Suas pesquisas mostram que o Kadima ganhará 35 assentos, mas seu instinto diz outra coisa. "Eu não tenho a impressão de que uma em cada três pessoas votará realmente no Kadima", disse ele advertindo para uma possível surpresa no pleito. Em janeiro, um instituto de pesquisas palestino, normalmente confiável, errou em suas previsões, apontando a Fatah como vencedora das eleições parlamentares, quando o Hamas acabou vencendo. Temores de um cenário similar estarão em cena quando Zemach e dois de seus colegas irão a emissoras de TV, após o fim da votação no dia 28 de março, para apresentar suas projeções. O cientista político Gideon Rahat, da universidade Hebraica, expressou sua preocupação. Ele reclamou que as pesquisas semanais, publicadas na primeira página dos principais jornais e veiculadas na TV, distorceram o processo eleitoral. A eleição tornou-se um esporte, com pessoas escolhendo seus favoritos.

Agencia Estado,

24 Março 2006 | 18h12

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