Criador da teoria do 'soft power' sugere retirada de Rússia do Bric

Acadêmico questiona formação de bloco e indica criação de novo grupo, o 'Biic', com a[br]inclusão da Indonésia

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

Professor emérito da Universidade Harvard, o americano Joseph Nye questionou ontem a pertinência do conceito do Bric ? sigla inventada pela agência de risco Goldman Sachs para designar os "emergentes" Brasil, Rússia, Índia e China. Segundo Nye, o termo só serve para "análises de curto prazo", pois parte de uma premissa equivocada: a Rússia não está emergindo, mas imergindo, com indicativos socioeconômicos temerários e "nenhum "soft power" (poder brando)".

No lugar do Bric, Nye propôs em palestra na Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo, a criação do "Biic", com Indonésia substituindo a Rússia. A crítica foi feita a uma semana da segunda reunião do Bric, que ocorrerá desta vez em Brasília.

Sobre o Brasil, o professor de Harvard criticou a recusa do governo Luiz Inácio Lula da Silva em assinar o protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação (TNP). "O Brasil tem a bênção de exercer forte influência sobre a América do Sul sem um poder militar ostensivo", afirmou. "Um programa nuclear com fins militares apenas prejudicará isso", concluiu, citando como exemplo a desconfiança argentina em relação à pesquisa atômica brasileira na época em que os dois países eram governados por regimes militares.

Nye ganhou fama mundial ao formular, no fim dos anos 80, o conceito de "soft power" (poder brando): "A capacidade de fazer outros Estados quererem o que você quer" sem a força das armas ou sanções econômicas. O termo foi totalmente incorporado ao vocabulário da política internacional e hoje consta nos discursos de líderes tão distintos quanto o americano Barack Obama e o chinês Hu Jintao.

A força do "soft power" brasileiro, analisou Nye, está em sua recente "história de sucesso" econômico e democrático. Se persistirem, os ganhos desse processo transformarão o País em um modelo para vizinhos e outras nações mundo afora, defendeu.

Nye elogiou o aumento da influência brasileira no Oriente Médio, mas cobrou uma "posição firme" do governo Lula com o programa nuclear de Teerã.

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