Jay Janner/Austin American-Statesman via AP, File
Jay Janner/Austin American-Statesman via AP, File

Criador de armas feitas com impressoras 3D desafia a Justiça e vende projetos

Cody Wilson disse que venderá planos por e-mail ou com um cartão de memória

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2018 | 21h23

AUSTIN, EUA - Cody Wilson, o diretor da empresa Defense Distributed (DD), que fabricou a primeira arma feita com uma impressora 3D, desafiou a Justiça dos Estados Unidos ao anunciar nesta terça-feira que começou a vender os projetos de fabricação dessas armas.

Wilson alegou que a ordem do juiz federal do distrito do Estado de Washington, Robert Lasnik, se refere à "distribuição gratuita dos planos" e à forma de envio dos mesmos com base em questões de segurança, mas não à comercialização responsável.

"A ordem simplesmente nos impediu de presentear as coisas. Então podemos vender e enviar por e-mail ou em um cartão de memória, de maneira segura", explicou Wilson durante uma conferência realizada em Austin (Texas), onde se encontra a sede da empresa.

O jovem empresário, um anarquista e libertário radical de 30 anos, não hesitou em desafiar os magistrados ao afirmar que "todos os que quiserem esses arquivos nos Estados Unidos, os terão".

A empresa de Wilson, segundo ele mesmo revelou, recebeu 392 pedidos de planos de armas 3D durou a entrevista coletiva, que durou cerca de uma hora, com ofertas "de US$ 1 a US$ 15".

A empresa não estabelece nenhum preço para os arquivos, mas Wilson reconheceu que "a publicidade criada pela briga jurídica" o permitiu arrecadar US$ 200 mil em doações em uma semana, a metade do dinheiro que a DD pretende obter para continuar o desenvolvimento do projeto.

Em 15 de agosto, o Departamento de Justiça dos EUA registrou um documento apoiando o fim da suspensão temporária contra a posse dos planos das armas, alegando erros na argumentação por parte da coligação de 19 Estados e do Distrito de Columbia.

Em meio à polêmica, o presidente dos EUA, Donald Trump, opinou que não tinha "muito sentido" poder imprimir esses planos de fabricação em casa, embora o próprio governo tenha permitido.

"Estou vendo (o assunto das) armas de plástico 3D que são vendidas ao público. Já falei com a Associação Nacional de Rifles (NRA, sigla em inglês), não parece ter muito sentido", expressou Trump no Twitter, sem dar mais detalhes.

Outro a demonstrar preocupação foi o procurador-geral, Jeff Sessions, que garantiu perseguir a produção e posse de armas de fogo feitas com impressoras 3D, consideradas uma ameaça por serem indetectáveis pelos dispositivos de segurança. / EFE

 

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