U.S. Customs and Border Protection Agency via AP
U.S. Customs and Border Protection Agency via AP

Criança brasileira de 2 anos desaparece em rio na fronteira com México, diz governo americano

A mãe, uma cidadã haitiana, foi presa pelas autoridades americanas na segunda-feira assim que cruzou o Rio Grande e relatou que sua bebê havia desaparecido; equipes americanas e mexicanas participam da operação de busca

Ramiro Gómez Caldera, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 11h26
Atualizado 04 de julho de 2019 | 11h52

CIUDAD ACUÑA, MÉXICO - Uma menina de 2 anos, identificada como Alia, desapareceu esta semana no Rio Grande, na fronteira dos Estados Unidos com o México, segundo a mãe dela, Marie Rose Joseph, cidadã haitiana de 28 anos que tentava entrar ilegalmente no território americano.

De acordo com a mulher, a criança nasceu no Brasil. A informação foi dada nesta quarta-feira, 3, pela Agência Alfandegária e de Proteção de Fronteira dos EUA (CBP, na sigla em inglês).

A mulher foi detida pelas autoridades americanas em Del Rio, no Texas, na segunda-feira, assim que cruzou a fronteira. No momento em que foi presa, informou que tinha perdido sua bebê durante a travessia.

Ao Estado, o Corpo de Bombeiros de Ciudad Acuña afirmou que um grupo de 12 imigrantes haitianos tentava cruzar o Rio Grande (Rio Bravo para os mexicanos) quando a criança desapareceu. Como a correnteza é muito forte, a criança foi levada pelas águas.

As buscas foram retomadas nesta quarta e os bombeiros de Ciudad Acuña, no Estado mexicano de Coahuila, trabalhavam em parceria com autoridades americanas. Os trabalhos para tentar localizar a criança envolvem botes, equipes de mergulhadores e veículos remotos submergíveis, além do apoio de um helicóptero. 

Segundo os pais de Alia, os três estavam com outros dez adultos que cruzaram o Rio Grande na altura do Parque Braulio Fernández Aguirre, a alguns metros da ponte internacional e do albergue onde dezenas de imigrantes de vários países estão abrigados, segundo o diretor de Proteção Civil de Acuña, Javier Félix Ríos.

Marie Rose disse que levava Alia nos braços, presa em um xale, mas ela acabou se soltando em razão de seu desespero no momento de atravessar o rio à noite e às escuras. Bombeiros, Proteção Civil, o Grupo Beta, o Exército e a Polícia Federal do México, com o apoio de autoridades americanas, iniciaram no mesmo dia a busca pela menina.

As equipes de busca temem que, em razão de seu pouco peso, ela tenha sido arrastada por vários quilômetros e seus restos apareçam nas localidades de Jiménez ou Piedras Negras. O albergue Braulio Fernández Aguirre, de onde partiu o grupo de haitianos vindo do Brasil, está sendo vigiado pela Polícia Federal e pelo Exército mexicano, mas os imigrantes continuam perambulando livremente por toda a área e até mesmo se aproximam das águas do Rio Grande.

No mês passado, o governo mexicano cedeu às pressões do presidente americano, Donald Trump, e prometeu novas medidas para conter a entrada de imigrantes nos EUA.

Marie Rose, o marido – identificado como Jean Yunel Forestal, de 36 anos – e seu grupo estão sendo mantidos incomunicáveis no centro de imigrantes em Del Rio, no Texas, e a qualquer momento podem ser enviados de volta para o México.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil tem conhecimento do caso e o acompanha por meio do Consulado-Geral do Brasil em Houston, no Texas. Em respeito à privacidade dos envolvidos, a assessoria afirmou que não poderá fornecer informações adicionais sobre o tema.

Morte trágica

O desaparecimento da bebê ocorre pouco mais de uma semana depois de outro caso trágico na fronteira. Em 23 de junho, dois salvadorenhos, Óscar Martínez, de 25 anos, e sua filha Valeria, de apenas 23 meses, também desapareceram no Rio Grande durante a tentativa de entrar ilegamente no território americano.

Os corpos dos dois foram localizados no dia seguinte centenas de metros abaixo do local onde foram vistos pela última vez. A camiseta preta de Óscar estava erguida até o peito com a cabeça da menina por dentro. O braço dela está em volta do pescoço do pai, sugerindo que ela se agarrou a ele em seus momentos finais.

Rota para os EUA

Em agosto, reportagem do Estado mostrou que muitos haitianos que deixaram o País em direção aos EUA ficaram em cidades como Tijuana em razão da intensificação das política anti-imigrantes do governo Trump e da pressão constante sobre o governo mexicano. Eles se dividiam entre o arrependimento por terem deixado o território brasileiro e a esperança de um dia chegar ao outro lado da fronteira.

Também mostrou o caso da brasileira Sandra Almeida Santos, que deixou um casamento de 11 anos e o emprego na Polícia Federal de Belo Horizonte para acompanhar o haitiano Alain Régis até o México.

Mais recentemente, o País também entrou na mira de africanos que tem como objetivo chegar ao território americano. O governo do presidente Andrés Manuel López Obrador, chamado popularmente de AMLO, cedeu a uma dura política migratória criada por Trump para a fronteira sul do México depois que Washington ameaçou impor tarifas progressivas aos produtos mexicanos e tornou a travessia mais complicada nos últimos meses.  / COM JULIA LINDNER E LUIZ RAATZ

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