Reuters / Henry Romero
Reuters / Henry Romero

Crianças e jovens da América Latina ficam submetidas ao poder do crime organizado

Fatores como pobreza e falta de educação colaboram para a entrada de menores em organizações criminosas

O Estado de S. Paulo

30 Maio 2016 | 07h00

CIDADE DA GUATEMALA - A pobreza, a discriminação, a indiferença e a falta de educação de crianças e jovens da América Latina propiciam a sua entrada no crime organizado, revelou na sexta-feira um informe da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

"As desigualdades e a exclusão social se encontram entre as causas estruturais da violência", afirma o comunicado da CIDH denominado "Violência, infância e crime organizado", apresentado na capital guatemalteca.

O documento considera que a situação é pior em razão do fato das respostas dos Estados "não serem suficientes para prestar uma atenção adequada à infância mais afetada por estas condições, para garantir seus direitos e prevenir que sejam captados e utilizados pelo crime organizado".

"O acúmulo de violações a seus direitos situa as crianças e os adolescentes em condições de extrema vulnerabilidade e os expõem a serem capturados por organizações criminosas" relacionadas com o narcotráfico, tráfico de pessoas e a exploração sexual e de trabalho, explica o documento.

O documento rechaça a repressão institucional ou o incremento de militares na segurança dos cidadãos como saídas ao problema, já que não ajudam na reinserção social.

"É uma situação muito alarmante. É o espaço perfeito para inseri-los no exército do crime", lamentou a relatora da Infância da CIDH, a panamenha Esmeralda Arosemena.

Ela afirmou que as crianças e jovens são preferidos pela criminalidade porque são mais fáceis de "manipular" e existe "maior facilidade para descartá-los ou transferi-los para outras redes criminais. São o último elo da cadeia".

"É uma tragédia para quem vive a infância na região", disse a Procuradora adjunta de Direitos Humanos da Guatemala, Hilda Morales.

Na maioria dos países "não existem centros de reinserção senão de tortura que se convertem em escolas do crime" para menores, pois violam os seus direitos continuamente e por isso os jovens preferem seguir vinculados a esses grupos ilegais, segundo Hilda.

No entanto, o diretor da ONG Refugio de la Niñez (Refúgio da Infância), o guatemalteco Leonel Dubón, comentou que em 2015 morreram violentamente no país um total de 790 menores, 70% deles por arma de fogo.

Nos quatro primeiros meses de 2016, o número de menores que faleceram violentamente é de 247, os quais 220 por feridas com arma de fogo. /AFP

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