REUTERS/Loren Elliott
REUTERS/Loren Elliott

Crianças imigrantes não podem ser obrigadas a ficar nos abrigos, dizem autoridades

Garoto de 15 anos fugiu de centro no Texas; segundo empresa que gerencia o local, fugas são raras

O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2018 | 11h36

AUSTIN - Quando um garoto hondurenho de 15 anos fugiu de um centro para menores imigrantes pegos na fronteira mexicana, no sábado 23, ao sul do Texas, a equipe do local correu atrás dele, implorando para que ficasse. Os funcionários disseram que ele estaria seguro, alimentado e teria mais chances de reencontrar sua família ali, em uma antiga instalação do Walmart em Brownsville, agora conhecida como Casa Padre.

Mas o garoto fugiu do armazém e desapareceu por mais de 24 horas, levantando dúvidas sobre o bem-estar das crianças levadas em custódia como consequência da política de tolerância zero imposta pelo governo do presidente Donald Trump. Um homem de Dallas que afirmou ser pai do garoto ligou para o local, informando que o menino havia cruzado a fronteira de volta para o México, pouco depois de fugir. Ele disse às autoridades que o adolescente agora tentava voltar para Honduras.

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O detetive Jose Trevino, do Departamento de Polícia de Brownsville, confirmou que o adolescente foi dado como desaparecido e seu paradeiro era desconhecido, acrescentando que as autoridades planejam procurar vídeos das câmeras de segurança das pontes entre Brownsville e o México para confirmar se o menor de fato cruzou a fronteira. Trevino reconheceu, no entanto, que há outras maneiras de atravessar que não são captadas pelas câmeras.

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O adolescente esteve na Casa Padre por 36 dias, informou Jeff Eller, porta-voz da Southwest Key, empresa que administra o abrigo. Acredita-se que o centro seja o maior do país, abrigando 1,5 mil meninos entre 10 e 17 anos. 

Os funcionários da Casa Padre estavam em contato com o suposto pai do garoto antes de sua fuga, mas se recusaram a liberá-lo. Segundo eles, as certidões dos dois não batiam e os testes de DNA apresentaram discrepâncias.

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A Southwest Key informou que o adolescente é um dos 42 que deixaram os abrigos para menores desde outubro de 2017. De acordo com o porta-voz, as fugas são raras. 

Mais de 20 mil crianças foram abrigadas em instalações no Texas, Arizona e Califórnia. No entanto, a fuga do garoto hondurenho aumentou ainda mais as atenções do mundo para a atual política de imigração americana.

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Abrigos como a Casa Padre não podem manter crianças sob seus cuidados à força, conforme dizem defensores públicos. Autoridades federais reiteraram a informação, mas se recusaram a informar o número de crianças em todo o país que já deixaram tais centros para imigrantes.

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"Como uma creche licenciada, se uma criança tenta deixar uma de nossas instalações, não podemos contê-la", disse Eller, em comunicado. "Nós não somos um centro de detenção. Nós conversamos com as crianças e tentamos fazê-las ficar. Se elas saírem, nós chamamos as autoridades", explicou.

Embora funcionários da Southwest Key tenham dito que fugas são raras, um dos garotos abrigados na Casa Padre contou ter visto vários meninos tentando escapar. "Eles tentaram correr em direção às saídas, mas não conseguiram", disse Jairom, hondurenho de 17 anos que passou três meses na instalação, antes de ser colocado com parentes, em Maryland.

O reverendo Anthony O'Connor, da Igreja San Felipe de Jesus em Brownsville, passou os últimos cinco anos aconselhando crianças desacompanhadas em abrigos. Em maio, ele disse ter visto um garoto visitar a igreja para o serviço de oração, pegar um parafuso e sair correndo. "Ele saiu do banheiro e foi direto para a porta. Havia supervisores, mas ele foi muito rápido." Segundo O'Connor, os funcionários não perseguiram o garoto, mas chamaram as autoridades.

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Durante uma visita recente à Casa Padre, o fundador e CEO da Southwest Key, Juan Sánchez, disse que algumas crianças haviam fugido do local, o que era incomum. "A maioria das crianças sabe que estamos tentando reuni-las com suas famílias", disse a vice-presidente de serviços para crianças imigrantes da empresa, Alexia Rodríguez. "Então não existe razão para fugir." / W. POST

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