Gaston de Cardenas/AFP
Gaston de Cardenas/AFP

Crianças migrantes que esperam em abrigos para entrar nos EUA dizem que querem apenas brincar

Crescente chegada de menores de idade atravessando fronteira – mesmo sozinhos – está atingindo níveis de crise

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 05h00

TIJUANA, México - Elas não reclamam, mas se tivessem escolha, gostariam apenas de brincar e aprender. Crianças centro-americanas e mexicanas que migram irregularmente para os Estados Unidos assumem um enorme fardo para sua idade. 

Em abrigos ou em precários quartos alugados na cidade de Tijuana, no noroeste do México, esperam - junto com seus pais - que o governo americano lhes conceda asilo. 

A Agência France-Presse conversou com algumas dessas crianças em uma unidade do centro 32 Families Belong Together, onde recebem atendimento psicológico e participam de oficinas de desenho e artesanato. 

Danien, Kennet, Dianayetzy, Angie, Daryansi, José Isaac e Karla, nascidos em Honduras, Costa Rica, El Salvador e México e cujas idades sobem como uma escada de 6 a 11 anos, têm isso claro: gostariam de mais diversão. 

Se você pudesse escolher, o que gostaria de fazer?, perguntamos.

“Jogar bola com minha mãe”, diz Angie, de 8 anos, de Honduras, sem hesitar. 

“Brincar de esconde-esconde, pega-pega, beisebol e basquete”, afirma Karla, de El Salvador, com a energia dos 11 anos. 

Melhor ainda se for com seu primo e tios que moram em Los Angeles, Estados Unidos, onde gostaria de estar, diz. 

A crescente chegada de menores de idade atravessando o território mexicano para os Estados Unidos - mesmo sozinhos - está atingindo níveis de crise, segundo especialistas e organizações internacionais. 

O número de crianças migrantes se multiplicou por nove este ano no México, onde os abrigos que as acolhem estão lotados, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na semana passada. 

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, disse que fortalecerá sua estratégia de imigração com a instalação de 17 novos abrigos para crianças, especialmente na fronteira sul, principal porta de entrada para sem documentos.

Pintar e aprender inglês

Alison Nathaly, uma guatemalteca de 14 anos, é autista e prefere se dedicar ao jogo de cores e formas que a pintura oferece. 

Embora possa acabar morando nos Estados Unidos, diz que está bem "aqui em Tijuana". 

Seu conterrâneo, Dilan Geovanni, 7, também acredita que a cidade "é linda" e, por coincidência, gostaria de pintar. 

Mais focada no destino escolhido pela família, Fernanda, uma hondurenha de 13 anos, quer "aprender a falar inglês", enquanto Mary Tere, uma mexicana de 9 anos, diz com sinceridade que não sabe o que gostaria de fazer. 

Convencidos de que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, lhes oferecerá um tratamento "mais humano" após as políticas draconianas de seu antecessor Donald Trump, centenas de milhares de migrantes continuam a viajar pelo México com destino ao país vizinho. 

As prisões de imigrantes sem documentos nos Estados Unidos aumentaram 71% em março, chegando a 172.300, enquanto o número de menores desacompanhados dobrou para quase 19 mil, segundo dados oficiais daquele país. /AFP

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