Jerome Delay/AP
Jerome Delay/AP

Crianças que ficaram sob domínio do Boko Haram não se lembram dos próprios nomes

Pessoas que trabalham com jovens resgatados afirmam que dimensões da tragédia não podem ser estipuladas até o momento

O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 15h33

NAIROBI - Depois de passar anos em acampamentos sob o domínio do grupo extremista Boko Haram, as crianças sofrem um trauma tão grande que esquecem a língua nativa e até os próprios nomes. Foi isso que constatou o diretor regional na sede de Washington do Instituto Nacional Democrático, Christopher Fomunyoh, após visitar um orfanato em Camarões.

As crianças haviam sido resgatadas pelo Exército no país em novembro. "Havia um vazio em seus olhos", contou Fomunyoh ao jornal Washington Post.

Cem crianças, de 5 a 17 anos, dividem o local, construído para abrigar 20 internos. Elas não têm sapatos, não dormem direito e recebem uma pequena porção de comida.

Fomunyoh e outras pessoas que trabalham com as crianças resgatadas não sabem explicar o que aconteceu com elas, se apenas ficaram sob o controle dos extremistas ou se foram soldados. Como elas esqueceram os próprios nomes é uma questão sem resposta até o momento.

"Até agora, não há compreensão total dos danos dessa crise. Mesmo que o Boko Haram deixe o campo de batalha, levaria anos para medir realmente as consequências em termos humanitários", afirma Fomunyoh. De acordo com a Human Rights Watch, os extremistas já recrutaram meninos até de 12 anos para lutar com o grupo.

Mais conteúdo sobre:
Boko Haram Nigéria Camarões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.