Crianças refugiadas sírias trabalham e não estudam

Um crescente número de criança sírias refugiadas no Líbano e na Jordânia têm se tornado as principais provedoras de suas famílias, que não têm recursos para sobreviver, mostra relatório da agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Agência Estado

29 de novembro de 2013 | 14h09

O documento de 61 páginas do Alto Comissário da ONU para Refugiados (Acnur) destaca as condições de vida das crianças, que crescem em famílias fragmentadas, deixam de frequentar a escola e cada vez mais saem para trabalhar para ajudar no sustento das famílias no exílio.

Mais de 2 milhões de sírios fugiram de suas casas por causa do conflito em seu país e buscaram abrigo em países como Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque. Pelo menos metade desses refugiados, ou 1,1 milhão, são crianças. Dessas, cerca de 75% tem menos de 12 anos, diz o relatório do Acnur.

Crianças de sete anos passam longas horas em trabalhos manuais nos campos, fazendas e lojas em troca de salários baixos, muitas vezes sob condições perigosas e de exploração, afirma o documento.

No extenso campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, a maioria das 680 pequenas lojas emprega crianças, diz o Acnur.

No Líbano, centenas de crianças refugiadas - muitas delas meninas com menos de 12 anos - são apanhadas diariamente em dezenas de assentamentos informais de refugiados que se espalham pelo Vale do Bekaa e áreas fronteiriças ao norte. Elas são transportadas em caminhões e levadas para os campos, onde trabalham por seis a oito horas, recebendo até 6 mil libras libanesas (menos de R$ 10,00) por dia.

Muitas dessas crianças também caem nas mãos de gangues criminosas especializadas em explorar as vítimas mais vulneráveis do conflito. Elas são vistas mendigando nas ruas de Beirute e, mais frequentemente, vendendo flores e chicletes.

A falta de acesso à educação formal é um problema persistente entre crianças refugiadas, informou o Acnur. O levantamento da agência mostra que mais crianças refugiadas sírias estão atualmente fora da escola do que inscritas no sistema educacional formal.

Na Jordânia, mais da metade de todas as crianças sírias em idade escolar está fora de escola. No Líbano, cerca de 200 mil delas deve permanecer fora da escola no final do ano porque os estabelecimentos locais não têm mais vagas. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.