Crianças sírias são torturadas e presas, diz ONU

O regime de Bashar Assad está torturando e prendendo crianças "de modo sistemático". A acusação, que já constava em relatórios da ONU, foi reforçada ontem pela comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, Navi Pillay. Mas, desta vez, a diplomata afirmou que Assad tem responsabilidade direta sobre esses crimes.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 Março 2012 | 03h03

"O presidente Assad pode simplesmente emitir uma ordem e os assassinatos se encerrariam", afirmou Navi em entrevista à rede BBC. Segundo a alta-comissária, o Conselho de Segurança das Nações Unidas já tem informações suficientes para levar o caso da Síria ao Tribunal Penal Internacional (TPI), instância na qual o regime Assad seria investigado por crimes de guerra e contra a humanidade.

"Eles estão indo atrás de crianças - por pretextos quaisquer - em larga escala. Centenas foram presas e torturadas. É horrendo", protestou Navi. "Crianças executadas de joelhos, detidas juntamente com adultos em condições absolutamente desumanas, sem acesso a tratamento médico para seus ferimentos, mantidas como reféns ou como fonte de informação."

O relatório do Conselho de Direitos Humanos sobre a crise na Síria, coordenado pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, estimou em fevereiro que pelo 500 crianças haviam sido mortas nos confrontos. Outras 500 estariam em prisões do regime Assad. O número não foi atualizado no último mês.

Pillay afirmou que crimes desse tipo não prescrevem e prometeu que um dia integrantes da cúpula do regime sírio responderão por seus atos. "Não há limitações, portanto pessoas como Assad podem ficar imunes por muito tempo, mas um dia enfrentarão a Justiça."

A ONU, porém, alertou que há registro de casos em que crianças foram usadas por rebeldes sírios como escudo humano. Radhika Coomaraswamy, representante especial das Nações Unidas para crianças em zonas de conflito, afirmou que o Exército Sírio Livre adotou esse tipo de prática durante combates contra as forças de Damasco. / REUTERS

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