Crianças transportadas por ONG francesa tinham família

ONU afirma que menores do Chade vinham de casas em que ao menos um adulto podia ser considerado parente

REUTERS

01 de novembro de 2007 | 10h20

A maioria das 103 crianças africanas que estavam prestes a ser retiradas do Chade por uma ONG francesa tinha família, disseram agências da ONU e a Cruz Vermelha nesta quinta-feira, 1. Um relatório conjunto da Unicef (agência da ONU para a infância), da Acnur (agência para refugiados) e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha diz que a maioria das 21 meninas e dos 82 meninos, com idades de 1 a 10 anos, vinha de aldeias na fronteira entre o Chade e o Sudão. Nove franceses, seis espanhóis e pelo menos dois chadianos foram presos na semana passada no leste do país africano depois de serem impedidos de embarcar com as crianças para a Europa. Eles são acusados de seqüestro e fraude, e podem ser condenados a penas de 5 a 20 anos com trabalhos forçados. Os franceses envolvidos são membros de um grupo chamado Arca de Zoé, que supostamente se dedicava a levar órfãos da região sudanesa de Darfur, que vive uma guerra civil, para uma vida melhor com famílias européias. A ONU e a Cruz Vermelha entrevistaram as crianças e disseram que a maioria delas contou que tinha parentes próximos no Chade. "No decorrer das conversas, 91 das crianças mencionaram um ambiente familiar consistindo de pelo menos um adulto que eles consideravam um parente próximo", diz o relatório conjunto, sem especificar qual era o grau de parentesco desses adultos com as crianças. Uma outra contradição nas alegações dos membros dos grupos de caridade é a nacionalidade das crianças. Segundo a ONG francesa, os menores seriam todos de Darfur, região sudanesa deflagrada por uma guerra civil que já deixou mais de 200 mil mortos e fez dois milhões de refugiados. Mas, de acordo com relatos da imprensa local, as crianças seriam do Chade. O relatório da ONU, por sua vez, afirma que a maioria dos menores é da região fronteiriça do Adre, no Chade. Segundo uma porta-voz da Acnur, as crianças são provavelmente chadianas, mas há a possibilidade de que algumas sejam sudanesas, dado que as populações dos dois lados da fronteira são da mesma etnia. Como a maioria das crianças tem entre três e cinco anos, não é possível confirmar com elas suas nacionalidade.  Força européia A disputa deteriorou as relações diplomáticas entre o Chade e sua ex-metrópole, a França. O governo francês, no entanto, já condenou as atividades do grupo de caridade.  Ainda assim, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, telefonou a seu homônimo francês, Idriss Deby, pedido a libertação dos três jornalistas presos juntos com os ativistas, dado que eles não seriam responsáveis pelo suposto seqüestro.  Além disso, de acordo com analistas, há a preocupação de que a questão danifique as relações entre os dois países, prejudicando o envio de uma força de paz européia comandada pela França à região. A missão tem por objetivo garantir a segurança de refugiados sudaneses. 

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