Crianças voltam às aulas em Newtown

A maior parte das crianças da cidade norte-americana de Newtown voltou às aulas nesta terça-feira enquanto prosseguiam os funerais das vítimas do massacre perpetrado na semana passada na escola primária Sandy Hook.

Agência Estado

18 de dezembro de 2012 | 19h01

Hoje foram sepultados James Mattioli e Jessica Rekos, ambos de seis anos. As duas crianças foram enterradas em meio a uma série de vigílias, uma delas para homenagear a professora Victoria Soto, que tem sido considerada uma heroína por sacrificar-se para tentar salvar seus alunos dos tiros de Adam Lanza na última sexta-feira.

Com a volta às aulas em Newtown, a segurança continuava reforçada. A escola Sandy Hook, cena do massacre, continuará fechada pelo menos até janeiro.

Cinco das outras seis escolas do distrito de Newtown deveriam ter retomado as aulas hoje, mas uma delas continuou fechada após o recebimento de uma ameaça por telefone. A ameaça contra a escola primária Head O''Meadow não se confirmou, mas a direção preferiu suspender as aulas por hoje.

Em clima de tristeza, as outras quatro escolas voltaram às aulas com duas horas de atraso por causa do reforço na segurança. "Não vai ser um dia alegre na escola", disse P. J. Hickey, de 17 anos. "Nem parece mais que o Natal está perto."

Em Newtown, a população da rica comunidade no interior de Connecticut ainda tentava assimilar a tragédia. Nos Estados Unidos, prosseguiam os debates sobre o que fazer para evitar a repetição de chacinas como a da última sexta-feira, na qual Adam Lanza matou 26 pessoas, sendo 20 crianças com idade entre seis e sete anos, antes de se suicidar.

Também permanece um mistério o motivo pelo qual Lanza, um jovem de 20 anos considerado inteligente, apesar de recluso, assassinou a mãe em casa antes de dirigir-se à escola onde perpetrou o massacre. Nancy Lanza foi descrita como uma entusiasta do porte de armas de fogo.

Hoje, a empresa de private equity Cerberus Capital Management anunciou que venderá a Freedom Group, fabricante da arma utilizada no massacre. A Cerberus comprou várias fabricantes de armas e munição, inclusive Remingtom Arms Co., o maior e mais antigo fabricante de rifles e espingardas do país, e a Bushmaster Firearms International, fabricante do fuzil de assalto que, segundo autoridades, foi usado por Adam Lanza.

Em 2007, a Cerberus consolidou as empresas de armas em uma companhia chamada Freedom Group. O nome legal do Freedom Group foi alterado em outubro para Remington Outdoor Company Inc., embora a Cerberus ainda utilize o nome Freedom Group para fazer negócios.

O anúncio da companhia ocorre um dia depois de a empresa enfrentar pressão do ex-governador de Nova York, Eliot Spitzer, bem como do Sistema de Aposentadoria de Professor do Estado da Califórnia, que disse que estava revisando um compromisso de investimento de US$ 500 milhões na companhia de private equity.

Obama defende proibição à venda livre de armas de assalto - Durante a tarde, a Casa Branca informou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apoia "ativamente" os esforços no Congresso para reinstituir no país uma proibição às vendas de armas de assalto.

Obama declara-se contrário à comercialização desse tipo de armamento há anos, mas não conseguiu fazer avançar um projeto de lei para proibi-lo durante seu primeiro mandato.

Agora, a senadora Dianne Feinstein anunciou planos de apresentar um projeto de lei no início do próximo ano. Hoje, o secretário de Imprensa da Casa Branca, Jay Carney, disse que Obama também é a favor de um projeto para fechar a "brecha" na lei que permite a comercialização de armas sem a checagem de antecedentes.

De acordo com Carney, Obama tratou desses assuntos por telefone nesta terça-feira com o senador Joe Manchin, um democrata conservador que declarou-se aberto a discutir meios de prevenir chacinas como a da semana passada.

NRA mantém silêncio - Enquanto isso, a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) mantinha-se em silêncio quatro dias depois do massacre.

A página da NRA - maior grupo de pressão norte-americano em favor do porte de armas - no Facebook foi tirada do ar e o lobby de armas não publicou até agora nenhuma mensagem no Twitter. O grupo também não menciona a chacina em sua página oficial na internet e até agora nenhum de seus líderes procurou a mídia para defender o porte de armas.

Em massacres anteriores, a NRA sempre foi rápida em manifestar pesar pelas vítimas e defender o que considera o direito constitucional dos norte-americanos ao porte de armas.

Apesar disso, não existe nenhum indício de que o silêncio da NRA signifique uma iminente mudança em sua oposição ferrenha aos controles sobre as vendas de armas.

Ainda não se sabe por que a NRA continua fora do debate sobre o controle de armas, que voltou a ganhar força com o massacre da última sexta-feira.

Menino de 11 anos é pego com arma em escola - Também nesta terça-feira, um menino de 11 anos foi pego com uma arma em uma escola nas proximidades de Salt Lake City (Utah) e alegou que a levou consigo para "defender-se" no caso de alguém entrar armado na sala de aula. O menino foi preso após ser denunciado por outros alunos depois de supostamente ter apontado a arma contra eles, informou a polícia local. A arma estava descarregada, mas o garoto tinha munição na mochila. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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