Crianças voltam às aulas em Nova York

Oito escolas de ensino primário e médio de Nova York, localizadas na região do World Trade Center, continuam fechadas desde o dia do atentado. Hoje, obedecendo a uma redistribuição de alunos feita pelo Departamento de Educação de Nova York, a Escola Pública 3, no bairro do West Village, recebeu os alunos das Escolas Públicas 89 e 150. Pela primeira vez desde o dia 11, esses alunos voltaram às aulas, reencontraram seus colegas de turma e retomaram uma rotina interrompida. Todos tinham histórias para contar. Os irmãos Dylan Sprague, de 10 anos, e Cody Sprague, de 6, estavam na sala de aula da escola 89, na manhã de terça, quando tiveram de sair correndo para evacuar o prédio e fugir da fumaça que tomava conta do bairro. Dylan, extrovertido e falante, contou que "já superou" o ataque da semana passada e que gostaria de ter tido mais uns dias "de férias em casa". Já Cody, tímido e se escondendo atrás da mãe, limitou-se a dizer que estava "bem". Seus pais, a artista plástica Sharon e o produtor de filme Michael, se mostravam mais apreensivos. Segundo Michael, as crianças ainda estão confusas e não sabem bem o que aconteceu. Sharon contou que Dylan estava preocupado com a guerra anunciada por Bush. "Ele me perguntou quando ia acontecer a guerra, e se ele teria de lutar nela," afirmou. Dúvidas e perguntas sobre o que está acontecendo no país foram muito comuns durante o dia. Por isso, a escola contratou uma equipe de psicólogos para assistir as crianças e estimulá-las a conversar sobre o atentado da semana passada. "Fizemos desenhos e escrevemos relatos sobre o WTC e o que estávamos sentindo", contou Sarah Boyd, de 9 anos, "estou feliz de saber que todos meus amigos ainda estão vivos". E assim, num clima de incerteza, mas ao mesmo tempo gratidão e felicidade, os alunos saíram das aulas hoje pulando, fazendo barulho, contando piadas e empolgados com a presença de câmaras de imprensa. "Gradualmente, estamos voltando a ter dias normais e a alegria das crianças", disse a vice-diretora da Escola 3, Kathy Piscioneri, que descreveu o dia como "o melhor possível".

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