Crime em comício faz Correa parar campanha

Bêbado mata 2 e fere 5 em ato político de líder equatoriano favorito à reeleição; presidente considera mortes no oeste do país um fato isolado

QUITO, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2013 | 02h09

Um homem armado com um facão matou duas pessoas e feriu outras cinco que esperavam um comício da campanha do presidente do Equador, Rafael Correa, na noite de segunda-feira. Um suspeito foi preso pela polícia. O presidente descreveu o ataque como "um ato isolado de um maluco" e visitou as famílias das vítimas. Ele também suspendeu sua campanha de ontem.

O ataque ocorreu na cidade de Quinindé, no departamento (Estado) de Esmeraldas, no oeste do Equador. Segundo testemunhas do ataque, o suspeito foi identificado como José Ulpiano Micolta Aragón e aparentava estar sob efeito de álcool e substâncias alucinógenas.

O crime ocorreu antes do início do comício. Segundo o depoimento de testemunhas ouvidas pela polícia e obtido pelo jornal El Comércio, o suspeito aproximou-se da concentração pouco antes das 23h30 (horário de Brasília) e, aparentemente bêbado, começou a incomodar mulheres que estavam no local. Alguns homens o expulsaram dali e ele retornou minutos depois com um facão.

"O suspeito desferiu facadas em todas as direções contra as pessoas que estavam nas primeiras fileiras do comício", disse o ministro do Interior, José Serrano, em entrevista coletiva.

Pouco depois do ataque, o suspeito saiu correndo e refugiou-se em uma residência numa avenida próxima. Ao ser confrontado pelos policiais, tentou atacá-los e se atirou no Rio Blanco, quando acabou sendo detido. O facão se perdeu na correnteza. O suspeito teve a prisão preventiva decretada e seria transferido ainda ontem para Quito.

Um vídeo obtido pela polícia e exibido pela televisão equatoriana mostra o momento em que Micolta Aragón invadiu o comício e atacou os partidários do presidente. "As imagens são de arrepiar a espinha. Apresento minha solidariedade às famílias das vítimas de Quinindé", disse Correa. Os compromissos de campanha do presidente previstos para ontem foram cancelados.

Outros candidatos à presidência, como Alberto Acosta, Norman Wray, Álvaro Noboa e Maurício Rodas também lamentaram o ocorrido e manifestaram seu pesar às famílias das vítimas.

Por meio de sua conta no Twitter, O presidente da Assembleia Nacional, Fernando Cordero, especulou que o suspeito seria um "assassino de aluguel".

Ao visitar as famílias das pessoas mortas no ataque, Correa descartou essa possibilidade. "É um maluco que cinco horas depois do ataque, no depoimento, ainda dava declarações incoerentes", afirmou o presidente à rede de TV Telesur. "Pelo que sabemos, já tem passagens na polícia por roubo e consumo de drogas, Foi um fato isolado."

Correa, no poder desde 2007, é favorito para as eleições do dia 17 e tem uma grande vantagem nas pesquisas de intenção de voto sobre o segundo colocado, o banqueiro Guillermo Lasso. Caso tenha mais de 40% dos votos com uma vantagem de ao menos 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado, não haverá a necessidade de um segundo turno. / AP e REUTERS

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