Crime financiou Mães da Praça de Maio, acusa ex-diretor

Sergio Schoklender, ex-braço direito da líder das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, e acusado judicialmente por ter desviado fundos públicos destinados à ONG, declarou ao blogueiro argentino Martín Caparrós que a organização de defesa de direitos humanos foi financiada nos anos 90 por meio de roubos a supermercados.

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h03

Schoklender - que, com o irmão, Pablo, assassinou os pais em 1981 - também afirmou que as Mães mantinham estreitos contatos com as guerrilhas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), do México. Os dois grupos teriam treinado militantes de esquerda argentinos ligados às Mães.

Ainda de acordo com ele, as Mães armazenavam armamento pesado no porão da sede da organização - durante o período da administração de Carlos Menem (1989-1999), quando o grupo não tinha o financiamento que tem hoje dos governos de Néstor e Cristina Kirchner.

Schoklender declarou ainda que as mães tinham tudo pronto para sequestrar o ex-almirante Emilio Massera em 1999. A ideia era ter Massera preso em um lugar secreto. "Queríamos que o inimigo soubesse o que era o desaparecimento", explicou. A busca dos desaparecidos da ditadura (de 1976 a 1973) foi a razão da fundação do grupo.

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