Crime organizado mata sete pessoas no México

O crime organizado reagiu a detenção de operadores financeiros do cartel de Juárez e a apreensão de cocaína no aeroporto da capital mexicana na terça-feira. Em uma onda de violência no estado de Guerrero, sete pessoas foram mortas.No balneário turístico de Acapulco, a cerca de 400 quilômetros da capital mexicana, um grupo de 15 homens com uniformes militares assassinou quatro policiais e três funcionários da Promotoria do estado de Guerrero.Os ataques aconteceram em dois bairros de Acapulco. Segundotestemunhas, os assassinos filmaram suas ações.Esta é a resposta mais violenta do crime organizado desde que, em meados de janeiro, o governo mexicano enviou a Guerrero 7.600 militares e policiais para combater o narcotráfico.A Procuradoria Geral da República disse que o ataque "corresponde a um acerto de contas do crime organizado, reagindo às ações do governo em diversas regiões do país".Detenções e apreensãoAs detenções dos quatro principais operadores financeiros do cartel de Juárez aconteceu no norte do país. Junto com eles, a polícia apreendeu US$ 162 mil.De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, na operação foi detida uma célula do cartel que se encarregava da lavagem de dinheiro.As autoridades também confiscaram no aeroporto da capital uma tonelada de cocaína oculta em 25 maletas que vinham num vôo comercial da Mexicana de Aviación, procedente de Caracas. Foi a maior apreensão de cocaína realizada no aeroporto da Cidade do México.A administração do presidente Felipe Calderón, que assumiu o cargo em dezembro passado, declarou guerra ao crime organizado e o narcotráfico, lançando operações militares e policiais em Michoacán, Baixa Califórnia, Chihuahua, Sinaloa, Durango e, mais recentemente, em Guerrero.Em 2006 os ataques do crime organizado deixaram mais de 2 mil mortos nos estados de Michoacán, Baixa Califórnia, Guerrero, Sonora, Sinaloa, Nuevo Leão, Tamaulipas e no Distrito Federal.Reformas constitucionaisO diretor-geral acadêmico da Universidade Ibero-Americana no Estado de Puebla, Juan Luis Hernández, disse que a guerra ao narcotráfico está "perdida" se não for acompanhada por reformas constitucionais. Ele teme a "colombianização" do Estado mexicano.Para o analista político, os cartéis têm uma ampla margem de manobra porque se infiltraram em todos os poderes do Estado. Ele defendeu reformas para limpar os órgãos de poder."Eu acho que a guerra estará perdida sem as mudanças adequadas em matéria de reformas constitucionais e inter-relação entre governos", opinou.

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