Criminalidade ameaça a hegemonia chavista

Aumento de casos de homicídio favorece candidatos da oposição

Juan Forero, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2008 | 00h00

Três dos filhos de Miriam Sánchez já tinham sido assassinados na vizinhança, onde disparos são ouvidos todas as noites. Ela temeu o pior quando, numa noite, lhe contaram que seu filho Jose Luis Arias, 24 anos, também havia sido morto. Miriam encontrou o corpo dele crivado de balas numa viela de uma favela de Caracas. Foi mais uma morte entre as milhares que transformaram a Venezuela em um dos países mais violentos do mundo. Os assassinatos revelam a incapacidade do governo de dar uma resposta à crescente criminalidade, que é o tema principal da oposição que disputa prefeituras e governos estaduais nas eleições regionais de amanhã. Pela primeira vez em anos, a oposição venezuelana deve romper o domínio quase completo do presidente Hugo Chávez sobre cargos locais. O caso de Miriam é uma das razões. Ela está entre os eleitores que apoiaram Chávez, mas que agora pretendem votar contra os candidatos do presidente. "É um pesadelo para qualquer mãe", disse ela. "Vejo que há mais criminosos do que policiais e não existe nenhuma segurança neste país." No momento em que Chávez completa uma década no poder, pesquisas mostram que os venezuelanos estão preocupados com a violência. Segundo dados oficiais, os assassinatos passaram de 6 mil, no primeiro ano de governo, em 1999, para 13 mil, no ano passado - são 48 homicídios para cada 100 mil habitantes, uma das mais altas taxas do mundo. Em Caracas, a violência é ainda maior: 130 homicídios por100 mil habitantes (na cidade do Rio são 37 assassinatos por 100 mi habitantes). "A Venezuela passa pela pior crise de segurança pública em anos", disse Luis Cedeno, diretor da Incosec, grupo de análise de política criminal de Caracas. Chávez raramente menciona o assunto. Ramon Rodriguez Chacin, ministro do Interior e Justiça, anunciou recentemente que o número de assassinatos caiu 27% no primeiro semestre do ano. "É preciso ter muito cuidado com os números", explicou. "Tudo depende de quem maneja os dados." O governo vem ocultando as estatísticas, mas os dados têm sido divulgados por ONGs e especialistas, que recebem as informações clandestinamente de fontes policiais. Segundo a oposição, o governo contribuiu para aumentar o problema com sua retórica de luta de classes e por ter armado grupos políticos radicais. "Aqui, a violência não é controlada, mas fomentada", disse Monica Fernández, diretora do Forum Penal, que analisa temas de caráter legal.

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