RODRIGO CAVALHEIRO/ESTADÃO
RODRIGO CAVALHEIRO/ESTADÃO

Criminalidade é preocupação principal

Peruanos têm a maior sensação de insegurança entre países da América Latina, embora país não seja o mais perigoso

Rodrigo Cavalheiro ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 05h00

Mascarados fecham com um veículo um motorista que acabou de tirar dinheiro no banco, roubam uma maleta e depois disparam contra ele. O homem, que dirigia de dia em uma das modernas avenidas abertas em Lima durante o boom econômico vivido até 2013, sobrevive, mas tem a perna amputada. “Isso é novo e tornou-se comum. Não tínhamos esse tipo de roubo”, comenta um peruano que assiste à cena em uma TV no restaurante de frango na brasa, a comida do dia a dia em Lima.

Embora apareça em posições intermediárias em rankings de homicídios por habitante, liderados pela Venezuela, o Peru tem o maior porcentual de cidadãos que relatam ter sido vítimas de delitos: 30,6%, contra uma média de 17,3% na região, segundo pesquisa do Projeto de Opinião Pública da América Latina apresentada no ano passado. 

O tema tornou-se central na campanha. Keiko Fujimori tem a resposta mais controvertida para o problema, colocar a Marinha para defender a região portuária de Lima e o Exército para garantir a segurança de instituições públicas. Ela também promete aumentar o salário da polícia e “encurralar os delinquentes em 12 meses”. 

O economista Pedro Pablo Kuczynski defende penas mais duras e o fim dos benefícios “para que ninguém mate alguém e saia em 8 anos”. A líder de esquerda Verónika Mendoza pretende ampliar a oferta de emprego, “pois só recorre à atividade ilícita quem não tem trabalho”. 

A professora Mirtha Saucedo, de 37 anos, eleitora de Kuczynski, viajava ontem no trem metropolitano que corta a capital peruana. Ela votaria com os filhos Diego, de 1 ano, e Maria Fernanda, de 9. “Tenha cuidado com a câmera ao descer. A criminalidade está fora de controle, o sistema de segurança colapsou”, advertia a ex-engenheira. 

Sua outra preocupação é a educação. Ela gasta 210 soles (R$ 223) por semana nas sessões de terapia da filha, porque o sistema público de ensino não dá conta da demanda. “Keiko estudou nos EUA com o nosso dinheiro, não sabe o que é a educação aqui. Mas é verdade que ela não pode pagar pelos pecados dos pais”, ponderou. 

O motorista de táxi Manuel Rubén, de 40 anos, ficou tão frustrado da última vez que o assaltaram que pensou em atropelar os dois jovens. “Sorte que não fiz isso, teria estragado minha vida.” Eleitor da esquerdista Verónika, ele reclamava de “políticos que só veem direitos humanos dos criminosos”.

Um levantamento do instituto Ipsos feito entre dezembro e janeiro em seis países da América Latina confirmou a tendência. O Peru foi o país com o maior número de entrevistados que se sentiam inseguros na rua: 90%.

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