EFE
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Criminosos ‘fornecem’ imigrantes para trabalho

Autoridades italianas têm indícios de que mafiosos selam acordos com produtores rurais e prostituem as mulheres

Jamil Chade, Correspondente / Genebra 

22 de abril de 2015 | 03h00

Os negócios envolvendo os imigrantes clandestinos não terminam na gestão dos centros de acolhimento. Segundo as investigações do Ministério Público italiano, eles apenas representam o ponto de partida de uma estrutura mais ampla. 

Outro aspecto sob controle da máfia é o transporte dos imigrantes entre os centros de acolhimento e o campo para colheita de tomate, laranja e outros produtos típicos da região. 


A suspeita é de que os produtores locais tenham acordos com os mafiosos para fornecer os trabalhadores que, em troca, recebem algum tipo de salário. Os ônibus colocados à disposição, no entanto, chegam a custar 5 euros por semana aos imigrantes que, por dia, recebem entre um e três euros pelo trabalho na agricultura. Em muitos casos, os imigrantes acabam prisioneiros de suas dívidas, escravizados por uma promessa de visto. 

A concessão de vistos também é parte das atividades mafiosas. Para as temporadas de colheita, os imigrantes irregulares recebem permissão para trabalhar no campo, mas o salário pago não corresponde ao anunciado pelo produtor. Caso o imigrante proteste, perde o trabalho e, portanto, a permissão de permanência temporária. 

A prostituição de mulheres e garotas abrigadas nos centros de acolhimento é outra das atividades dos criminosos, segundo a investigação do MP. Todas as noites, mulheres são levadas para locais de prostituição administrados pelas mesmas pessoas que ganharam o contrato para acolher os estrangeiros.

O trabalho garante renda aos criminosos e apenas uma fração é repassada às mulheres.

Ao Estado, representantes da entidade Caritas confirmaram a infiltração da máfia no debate sobre a imigração e acusaram muitos centros de darem apenas arroz para seus moradores. “Muita gente está tentando lucrar com esses miseráveis”, declarou a Caritas em um email à reportagem. 

O temor da entidade é de que, se essa exploração continuar e os números de imigrantes crescerem, há um risco de que a violência passe a tomar conta de algumas cidades.

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